BELGRADO — Milhares de pessoas participaram nesta segunda-feira (7) do funeral de Ratko Mladic, ex-comandante militar sérvio-bósnio condenado por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade durante a Guerra da Bósnia. A cerimônia reuniu veteranos, simpatizantes e nacionalistas sérvios, além de provocar críticas da União Europeia e de autoridades da Bósnia-Herzegovina.
O caixão ficou exposto por cinco horas na Igreja Ortodoxa de São Lucas, antes do enterro em um cemitério próximo. Seis soldados fizeram guarda de honra diante do caixão fechado, acompanhado por uma fotografia, medalhas militares, um quepe de oficial e uma espada.
Organizado pelo filho de Mladic, Darko, o funeral recebeu admiradores de diferentes regiões da Sérvia e da República Sérvia, entidade de maioria sérvia da Bósnia-Herzegovina. Participantes beijaram o caixão enquanto sacerdotes ortodoxos recitavam orações. Do lado de fora, foram vistas bandeiras nacionais e camisetas em homenagem ao ex-general.
“Estou aqui para me despedir do general, um herói nacional”, afirmou a aposentada Radojka Visic, que viajou da República Sérvia.
Reações às homenagens
A cerimônia foi alvo de controvérsia após o anúncio de que o Estado sérvio prestaria honras oficiais a Mladic. O ministro da Justiça, Nenad Vujic, anunciou homenagens militares e de Estado. Após as críticas, o presidente sérvio Aleksandar Vucic disse que o funeral seguiria os desejos da família e minimizou seu caráter oficial.
O caixão chegou à Sérvia na quinta-feira (3), em um avião do governo, e foi recebido com honras militares. No trajeto até Belgrado, grupos de jovens carregaram faixas de apoio ao ex-general e lançaram sinalizadores de fumaça.
Um porta-voz do serviço diplomático europeu afirmou que “a glorificação de criminosos de guerra, a negação do genocídio e o revisionismo não têm lugar na União Europeia nem nos países candidatos”. A comissária europeia responsável pela ampliação do bloco, Marta Kos, cancelou uma visita a Belgrado prevista para esta semana e disse que a exaltação da morte de Mladic é incompatível com os valores da União Europeia.
Denis Becirovic, membro bósnio da presidência tripartite da Bósnia-Herzegovina, acusou as autoridades sérvias de se associarem a um dos piores assassinos da história europeia e alertou para possíveis consequências à estabilidade regional.
Mladic morreu no fim de agosto, aos 84 anos, em Haia, na Holanda, onde cumpria prisão perpétua. Preso em 2011, após dezesseis anos foragido, foi condenado definitivamente em 2021, especialmente por seu papel no massacre de Srebrenica, em julho de 1995. Cerca de 8 mil homens e adolescentes muçulmanos foram executados pelas forças sérvio-bósnias.
Ele também foi condenado por perseguições contra populações muçulmanas e croatas, pelo cerco de Sarajevo e pela tomada de soldados da ONU como reféns. A Guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995, deixou cerca de 100 mil mortos e mais de 2 milhões de deslocados.







