CEUTA — Kylian Mbappé, Vinícius Júnior e Ibrahima Konaté provocaram uma disputa política na Espanha e na França ao cobrirem parte de uma mensagem de apoio a Ceuta antes de uma partida do Campeonato Espanhol. O gesto ocorreu em um momento de tensão sobre imigração e controle de fronteiras, às vésperas das eleições legislativas.
Na terça-feira (15), os jogadores entraram em campo com camisetas distribuídas pela La Liga. A peça trazia a frase “Todos somos caballas”, em referência aos moradores de Ceuta. Enquanto os demais atletas mantiveram a mensagem visível, os três dobraram o tecido e esconderam parte do texto diante das câmeras.
Ceuta é uma cidade autônoma espanhola localizada no norte da África, junto à fronteira com o Marrocos. No fim de julho, dezenas de milhares de migrantes chegaram ao território a partir do país vizinho. O episódio provocou uma crise humanitária, tensões diplomáticas e uma disputa política sobre as fronteiras.
Organizações humanitárias denunciaram mortes durante as travessias e as condições precárias enfrentadas pelos migrantes. Partidos conservadores defenderam controles fronteiriços mais rígidos e deportações aceleradas.
Explicação de Mbappé
Mbappé foi o único dos três jogadores a explicar publicamente a atitude. Em entrevista ao AS, o atacante francês disse que queria demonstrar solidariedade aos moradores de Ceuta e aos migrantes mortos ou submetidos a condições difíceis.
“Estou em total solidariedade com Ceuta e todas as vítimas”, declarou Mbappé. Ele afirmou que também pretendia reconhecer o sofrimento dos migrantes afetados pela crise. Vinícius Júnior não se manifestou publicamente sobre o episódio.
O Real Madrid interpretou a decisão como uma questão de sensibilidades pessoais e respeitou a liberdade individual dos atletas diante do tema.
Reações políticas
Representantes do Partido Popular afirmaram sentir “profunda vergonha” com a atitude. Integrantes do Vox acusaram os jogadores de não apoiarem os habitantes de Ceuta. O grupo Ultras Sur, associado à extrema direita e banido do estádio Santiago Bernabéu, classificou o comportamento como inaceitável e pediu desculpas públicas.
Na França, integrantes do Reunião Nacional também criticaram Mbappé. A eurodeputada Marion Maréchal questionou a solidariedade de figuras públicas aos migrantes e cobrou atenção aos europeus afetados pela crise migratória.
A participação de Vinícius Júnior ampliou a repercussão do caso. O atacante brasileiro é conhecido por combater o racismo no futebol e já cobrou medidas mais duras após sofrer insultos racistas em estádios espanhóis.
A controvérsia ocorre durante o governo do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez. A oposição conservadora e a extrema direita acusam o governo de não proteger adequadamente as fronteiras. O debate também ganhou força após um plano de regularização que pode beneficiar mais de um milhão de imigrantes indocumentados.
Nesta quinta-feira (17), o Parlamento Europeu aprovou uma resolução que defende maior cooperação entre Espanha e Marrocos para acelerar o retorno de migrantes sem direito de permanecer na União Europeia. Partidos de centro-direita e de extrema direita apoiaram o texto, enquanto grupos de esquerda votaram contra.







