São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Inteligência artificial amplia propaganda e recrutamento em redes extremistas na Europa

Europol afirma que bots e aplicativos de IA já são usados para propaganda, recrutamento e preparação de ataques terroristas.

Inteligência artificial amplia propaganda e recrutamento em redes extremistas na Europa

A inteligência artificial passou a ser usada por redes extremistas para ampliar propaganda, recrutar integrantes e preparar ataques na Europa, segundo a Europol. A agência informou que criminosos recorrem a imagens, áudios, deepfakes, memes e GIFs para criar e editar conteúdo, enquanto bots alimentados por IA impulsionam o recrutamento e a divulgação de ideologias terroristas.

Aplicativos baseados em inteligência artificial também foram usados em pesquisas voltadas à preparação de ataques. Para Bartjan Wegter, coordenador de contraterrorismo da União Europeia, 85% das investigações ocorrem no ambiente digital, o que exige adaptação das forças de segurança.

Redes formadas por jovens

A ameaça é associada ao chamado extremismo violento niilista, cuja dimensão ainda não foi definida pelas autoridades. A Europol não mantém estatísticas específicas sobre esse fenômeno porque suas definições variam e os atos podem ser classificados como crimes comuns ou terrorismo.

Investigadores de nove países europeus encontraram cerca de 4 340 endereços URL ligados à comunidade online conhecida como The COM. A identificação ocorreu durante uma operação realizada em junho e julho para desarticular a rede.

Wegter afirmou que os grupos são frequentemente formados por jovens e voltados para esse público. Segundo ele, a violência aparece como forma de obter prestígio e reconhecimento em comunidades digitais, sem necessariamente estar ligada a uma ideologia política. “É violência pela violência”, disse o coordenador.

No ano passado, foram registrados 45 ataques terroristas em 10 dos 27 países da União Europeia. Nenhum foi considerado um incidente de grande dimensão com vítimas em massa. Cerca de metade dos ataques foi impedida ou fracassou, mas seis pessoas morreram. A Europol registrou ainda 486 detenções de suspeitos de ligação com terrorismo em 21 países-membros.

Grupos jihadistas estiveram por trás de 24 ataques e responderam por mais de 70% das detenções. Cerca de um terço dos detidos tinha menos de 18 anos, em sua maioria meninos.

Casos sob investigação

Na Finlândia, em 2025, um garoto de 16 anos esfaqueou três colegas de classe. Segundo um documento da União Europeia, ele teria compartilhado um manifesto em grupos do WhatsApp, gravado o ataque no Snapchat e pedido que alguém guardasse e entregasse o vídeo depois de sua libertação. O documento afirma que não foi identificado motivo político para a violência.

Na Itália, no ano passado, um garoto de 15 anos planejou um homicídio para obter notoriedade na internet, de acordo com autoridades locais. No celular, ele armazenava imagens e vídeos de agressões, homicídios, tiroteios em escolas e pornografia infantil.

Outro grupo monitorado é o 764, fundado pelo americano Bradley Cadenhead. Ele cumpre pena de 80 anos por pornografia infantil e crimes sexuais, mas o grupo continua ativo. Na Alemanha, um homem de 20 anos apontado como um dos principais integrantes do 764 enfrentou 123 acusações, incluindo homicídio, estupro e abuso sexual de crianças.

Para Wegter, as redes online podem levar a ataques no mundo real e dificultam a prevenção porque envolvem jovens sem antecedentes criminais, muitas vezes protegidos por comunidades criptografadas. Ele também afirmou que o ambiente digital é permissivo e favorece a conexão entre diferentes ameaças.

A expansão do monitoramento enfrenta críticas de defensores da privacidade, que defendem o direito de comunicação sem intrusões injustificadas. Wegter disse que as forças de segurança precisam ter ferramentas compatíveis com a ameaça atual e ampliar o diálogo com autoridades de outros países, já que conteúdos produzidos fora da Europa podem afetar a segurança no continente.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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