São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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TikTok mantém vídeos artificiais de protestos ligados à extrema direita europeia

Conteúdos simulam manifestações que nunca ocorreram, associam-se a partidos de extrema direita e acumulam mais de 300 000 visualizações.

TikTok mantém vídeos artificiais de protestos ligados à extrema direita europeia

Vídeos criados com inteligência artificial e apresentados como protestos reais continuam circulando no TikTok, apesar de a plataforma informar que identifica esse tipo de conteúdo. As imagens simulam manifestações em cidades europeias contra a imigração, governos, a situação dos países ou em defesa de valores nacionalistas. Nenhum dos protestos retratados ocorreu.

Os vídeos analisados foram publicados nos últimos quatro meses, e alguns ultrapassam 300 000 visualizações. O Cubo identificou publicações direcionadas a usuários de Portugal, França, Alemanha, Irlanda, Itália e Reino Unido. Parte do público parece acreditar que as cenas são verdadeiras.

Como os vídeos tentam parecer reais

Uma das estratégias é imitar emissoras de televisão. Em um dos conteúdos, aparece uma suposta jornalista portuguesa da RTP, com o logotipo da emissora no microfone. Os elementos gráficos inseridos na gravação reproduzem características da SIC Notícias. O local mostrado também está incorreto: o rio Tejo passa exatamente onde o edifício aparece na imagem.

A RTP informou que a mulher não trabalha na emissora e não tem relação com o vídeo publicado no TikTok. Os criadores também recorrem a justificativas vagas, como a indignação com a situação do país, enquanto alguns conteúdos em alemão exibem legendas de apoio ao partido Alternativa para a Alemanha (AfD).

Comentários de usuários mencionam partidos e pedem que eles atuem sobre questões como a migração. Entre os nomes citados estão André Ventura, do partido português Chega, a Reagrupação Nacional francesa e Alice Weidel, da AfD alemã. Muitos vídeos terminam com um pedido para que o público comente sobre os protestos ou informe a cidade de onde assiste.

Bruna Martins dos Santos, da WITNESS, organização que analisa o impacto de novas tecnologias, afirmou que as imagens sintéticas atraem interações por explorarem ansiedades políticas e frustrações culturais já existentes. Para ela, a produção tem como objetivo manipular a percepção pública e ampliar a polarização social.

Emoção, inteligência artificial e recomendação

Segundo Martins dos Santos, os conteúdos combinam três técnicas recorrentes de desinformação: linguagem emocional, material gerado por inteligência artificial e polarização. Temas como imigração, nacionalismo e decadência social provocam respostas fortes, enquanto o impacto visual pode levar os usuários a avaliar primeiro o tamanho das multidões, as bandeiras e os cânticos, antes de questionar a autenticidade das cenas.

Os algoritmos de recomendação das redes sociais reforçam essa dinâmica ao direcionar vídeos provocadores a pessoas mais propensas a se identificar com eles. A inteligência artificial também torna a produção barata e fácil de ampliar, favorecendo o aumento de visualizações, seguidores e interações.

Regras da plataforma

O TikTok afirma que proíbe conteúdos gerados por inteligência artificial que sejam enganosos em assuntos de importância pública ou violem suas regras contra a desinformação. A empresa também diz que materiais sem identificação podem ser removidos, ter o alcance restringido ou receber uma etiqueta, conforme o potencial de dano.

Para Martins dos Santos, a permanência dos vídeos pode indicar violação das regras da plataforma e limitações nas ferramentas de detecção. Ela também afirmou que a presença desse material levanta dúvidas sobre a eficácia da identificação, da rotulagem e dos algoritmos de recomendação. O TikTok não respondeu de imediato ao pedido de comentário.

Pelo Regulamento europeu dos serviços digitais, a empresa deve adotar medidas contra conteúdos que possam afetar negativamente o debate cívico e os processos eleitorais.

Enquanto as gravações artificiais mostram manifestações inexistentes, protestos reais ocorreram recentemente em diferentes pontos da Europa. Na Espanha, houve manifestações relacionadas à crise de Ceuta, após a entrada de cerca de 80 000 pessoas pela fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol no Norte da África. Estimativas indicam que até 13 000 ainda permanecem em Ceuta, situação que alimentou protestos contra a condução da crise pelo governo.

Na Alemanha, manifestações foram realizadas contra a AfD depois de uma vitória do partido em uma eleição regional, no início de setembro. Na Suíça, milhares de pessoas protestaram contra a alegada inação do governo diante do aquecimento global.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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