Os Correios afirmam que a determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) para manter 80% do efetivo em atividade não vem sendo cumprida em 790 unidades. A informação consta de um relatório de monitoramento apresentado pela direção da empresa durante o julgamento do dissídio coletivo de greve.
A estatal voltou a pedir que o tribunal declare a paralisação abusiva. A decisão do TST prevê multa diária de R$ 100 mil caso as entidades representativas dos trabalhadores não mantenham o percentual mínimo de funcionários em serviço.
A exigência alcança unidades de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e áreas administrativas ou de suporte consideradas indispensáveis à continuidade da cadeia postal. A greve dura duas semanas e tem maior adesão em São Paulo e no Rio de Janeiro.
De acordo com os Correios, os efeitos da paralisação sobre a operação aumentaram. A empresa afirma que houve impacto mensurável e crescente nos indicadores de estoque e que não havia sinal de recuperação até a data mais recente analisada. Também informou que a disponibilidade nacional ficou abaixo de 80% em cinco dos oito dias avaliados.
O julgamento começou na segunda-feira e foi interrompido para que representantes dos trabalhadores se manifestem sobre a nova reclamação apresentada pela empresa.
Negociação trabalhista
Representantes do movimento dizem haver consenso sobre o reajuste salarial de 4,35% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), com pagamento retroativo a 1º de agosto.
Entre os pontos ainda em disputa estão alterações no plano de saúde, o chamado “vale-peru” e o adicional de férias de 70% e de 200% nas horas extras. Os trabalhadores defendem essas condições, enquanto os Correios sustentam a aplicação das regras da CLT: adicional de um terço de férias e de 50% nas horas extras.
A empresa também aguarda uma definição sobre um empréstimo de R$ 7 bilhões de um grupo de bancos, com garantia da União. No final do ano passado, os Correios contrataram outro empréstimo, de R$ 12 bilhões, para pagar dívidas atrasadas e regularizar a operação.








