São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mundo

Decisão judicial encerra permanência de idosa em imóvel de Madri desde 1956

María del Carmen Abascal foi retirada do apartamento após a Justiça reconhecer a extinção do contrato, em meio a protestos e pedido da ONU.

Decisão judicial encerra permanência de idosa em imóvel de Madri desde 1956

A decisão judicial que reconheceu o fim do contrato de aluguel permitiu a retirada de María del Carmen Abascal, de 87 anos, do apartamento onde morava desde 1956. A execução ocorreu nesta quarta-feira, após quatro tentativas, apesar de um pedido da ONU para que o despejo fosse interrompido.

A Urbagestión Desarrollo e Inversión S.L., proprietária do imóvel, havia defendido que a alteração do contrato feita após a morte da mãe de Maricarmen não era válida. O caso chegou ao Supremo Tribunal, que em março decidiu a favor da empresa, revertendo uma decisão anterior favorável à idosa.

Contrato e disputa pelo imóvel

O acordo original foi assinado pelos pais de Maricarmen em 1956. Depois da morte do pai, o contrato passou para a mãe e, quando ela morreu, em 2005, foi alterado para a filha. O imóvel foi vendido em 2018 e passou a pertencer à Urbagestión, empresa que atua com investimentos imobiliários em Madri e Valladolid.

A empresa propôs uma renda de 2.500 euros mensais, valor 247% superior ao que Maricarmen pagava. Com uma deficiência de 50% e uma pensão inferior ao aluguel proposto, ela não conseguiu assumir o novo valor. A Urbagestión também cobra 10.000 euros do Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madrid por danos que atribui à campanha de apoio à idosa.

A primeira tentativa de despejo ocorreu em outubro de 2025 e foi suspensa na véspera por decisão judicial. Outra tentativa, em 2 de junho, foi adiada no último momento. Na quarta-feira, a advogada Beatriz Duro pediu algumas horas para que Maricarmen retirasse seus pertences, mas a empresa recusou. “Recusaram conceder-lhe umas horas para tirar as suas coisas”, afirmou a advogada.

Protestos e pedido internacional

Dezenas de pessoas se reuniram nas proximidades do prédio desde a madrugada. Por volta das 10h30, depois de uma hora de negociação entre a advogada e a comissão judicial, o despejo começou. A Polícia Nacional formou um cordão, afastou manifestantes com gás pimenta e empurrões e impediu o acesso à área.

Uma ambulância permaneceu em frente ao edifício, enquanto profissionais de saúde entraram com uma maca para retirar a idosa. O Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU havia pedido ao Estado espanhol, em junho, que suspendesse a medida e garantisse uma solução habitacional adequada.

O Município de Madri informou que já havia oferecido recursos habitacionais a Maricarmen em ocasiões anteriores e durante as tentativas anteriores de despejo. Os serviços municipais disseram que ela recusou as ofertas, inclusive após a execução desta quarta-feira. A idosa teria ido morar com familiares.

Maricarmen deixou o imóvel onde vivia desde os 17 anos e onde seus pais morreram. O porta-voz socialista Patxi López defendeu a atuação do Governo e atribuiu a responsabilidade pela habitação ao Município e à Comunidade de Madri.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5