METZ — O papa Leão XIV rejeitou nesta segunda-feira (28) qualquer violência praticada em nome da religião e pediu esforços pela paz durante seu primeiro discurso em Metz, terceira e última etapa de sua visita à França. O pontífice participou de um encontro com representantes de diferentes religiões no centro de convenções Robert Schuman.
“Usar o nome de Deus para legitimar a violência ou a opressão é uma profanação desse nome”, declarou Leão XIV. Ele afirmou que atos que atingem a dignidade humana não podem reivindicar inspiração divina e defendeu que o discurso religioso seja um apelo permanente ao desarmamento dos corações e das palavras.
O papa chegou pouco depois das 9h ao aeroporto de Metz-Nancy-Lorraine, onde foi recebido pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez. Sua fala ocorreu após a leitura do “Apelo de Metz”, declaração conjunta de representantes religiosos na França em favor do diálogo entre religiões e da paz. O documento rejeita o totalitarismo e afirma que o nome de Deus e as tradições espirituais não podem ser usados para justificar violência e ódio.
Apelo por negociações e acolhimento
Durante um encontro sobre a construção europeia e a paz, realizado na presença do papa, o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu que a Europa recuperasse a coragem de seus fundadores e rejeitasse o isolamento e o retorno dos nacionalismos. Macron defendeu uma Europa soberana e democrática, associada à segurança, à preservação de valores e à construção paciente da paz.
Leão XIV também citou os fundadores da Europa, entre eles Robert Schuman e Alcide De Gasperi, e defendeu uma aplicação ativa da paz. Ele questionou se os países estão promovendo esforços criativos para a paz mundial ou apenas tentando conter a guerra e se preparar para novos conflitos.
O pontífice pediu coragem nas negociações e disposição para sacrificar certas posições em nome do bem maior da paz na Europa, enquanto a guerra na Ucrânia continua. Também criticou a mentira e o engano nas relações internacionais e destacou o direito internacional e o multilateralismo como instrumentos contra a dominação.
Leão XIV afirmou ainda que a história europeia não pode ser dissociada do cristianismo e defendeu uma melhor acolhida aos migrantes. Segundo ele, a integração deve oferecer a essas pessoas condições para desenvolver seus talentos e capacidades e participar da vida da sociedade.
Macron participará da missa na Catedral de Saint-Étienne de Metz, às 16h (11h em Brasília). O papa deixará o território francês por volta das 19h, pelo aeroporto de Metz-Nancy-Lorraine, e retornará a Roma, encerrando sua visita de quatro dias à França.







