Luxemburgo condicionou a renovação da lista de sanções da União Europeia contra a Rússia à retirada do empresário russo Mikhail Fridman caso a França consiga excluir Alisher Usmanov. A posição aumentou o impasse entre os Estados-membros e gerou receios de um efeito dominó nas medidas individuais.
Na semana passada, França e Eslováquia defenderam a retirada de Usmanov da lista antes da renovação. A Eslováquia há muito apoia a saída dos dois empresários, que foram sancionados pela UE por suposta proximidade com o Kremlin. Usmanov e Fridman negam as acusações.
A exigência de Luxemburgo foi apresentada na sexta-feira, durante uma reunião de embaixadores da UE. O país sustenta que, se Paris obtiver a retirada de Usmanov, Fridman também deverá deixar a lista. Fridman mantém um processo contra Luxemburgo sobre a aplicação das sanções e pede indenização pelos bens congelados no país, avaliados em cerca de 16 bilhões de dólares. Ele também processou o Conselho da UE no Tribunal Geral da União Europeia.
O pedido francês para retirar Usmanov teria sido apresentado como moeda de troca pela libertação de cidadãos franceses detidos no Azerbaijão. A informação provocou frustração entre outros Estados-membros.
Renovação da lista
Pelas regras da UE, a relação de 1600 pessoas e entidades sancionadas precisa ser renovada a cada seis meses com apoio unânime dos Estados-membros. O prazo terminaria na terça-feira, mas foi prorrogado por uma semana para permitir uma solução diplomática.
Outros países consideram que a exigência luxemburguesa reforça o risco de interesses nacionais influenciarem listas de sanções individuais. Na avaliação desses governos, isso poderia levar outras capitais a apresentar demandas próprias.
Os embaixadores da UE voltarão a se reunir na segunda-feira. Um responsável de Luxemburgo não comentou o caso. Um diplomata da UE, que falou sob anonimato, afirmou que a estratégia francesa pode enfraquecer a imagem do bloco diante da escalada russa na Ucrânia e contra Estados-membros da UE.







