A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou nesta quinta-feira (17) que o ciclo da água se tornou mais irregular e imprevisível. O relatório da agência da ONU sobre os recursos hídricos mostra que 2025 esteve entre os anos mais secos dos últimos 35 anos em relação à vazão dos rios, além de figurar entre os mais quentes já registrados.
Wayne Jenkinson, diretor da divisão de hidrologia e criosfera da OMM, afirmou que 2025 está entre os três anos com menor vazão no período analisado, embora não seja possível determinar com certeza se ocupa a segunda ou a terceira posição.
A agência relaciona o cenário à redução de longo prazo das reservas de água doce e ao recuo contínuo das geleiras. Para a OMM, o ciclo hídrico passou a alternar de forma mais acentuada entre escassez e excesso, com efeitos que podem atingir populações e economias no futuro.
Reservas e geleiras sob pressão
As precipitações, o fluxo dos rios e a umidade do solo podem mudar em dias ou semanas, conforme as condições meteorológicas. Já águas subterrâneas, geleiras e a cobertura sazonal de neve se alteram em períodos mais longos e ajudam a reduzir os impactos dos anos de seca.
“Estamos esvaziando essas reservas”, disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo. Segundo ela, as reservas globais de águas continentais mantêm uma tendência de queda desde 2014-2016, persistente há uma década.
Pelo quarto ano consecutivo, todas as principais regiões glaciais perderam massa. Entre 2023 e 2025, a perda acumulada de gelo no mundo chegou a 1.400 gigatoneladas de água, volume estimado pela OMM como equivalente ao necessário para encher 560 milhões de piscinas olímpicas. A quantidade corresponde a cerca de um terço da água doce retirada anualmente.
Quase dois terços dos poços monitorados no mundo apresentaram, em 2025, condições diferentes da média histórica, informou Saulo.
Rios e eventos extremos
O levantamento indica que, nos últimos sete anos, a quantidade de rios com vazão normal foi a menor desde 1991. Além disso, a vazão ficou abaixo da média em mais de 36% da superfície das bacias hidrográficas do mundo.
Ásia e África reuniram, nos últimos cinco anos, pelo menos metade dos episódios extremos ligados à água e mais de 80% das mortes associadas. A OMM também informou que o fortalecimento do El Niño eleva o risco de secas em algumas regiões e de inundações em outras.
O fenômeno continuou se fortalecendo em agosto e tinha 75% de probabilidade de se tornar o mais intenso já registrado, conforme anúncio da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). O El Niño ocorre a cada dois a sete anos e está associado a secas, inundações e temperaturas recordes em diferentes partes do mundo.
A OMM afirmou que houve melhora na disponibilidade de dados, mas ainda existem lacunas em áreas afetadas. Celeste Saulo defendeu o compartilhamento de informações, padrões de monitoramento e sistemas de alerta, porque o balanço de uma bacia pode depender do que ocorre em outro país.







