Uma operação conjunta do Reino Unido, da Noruega e dos Estados Unidos acompanhou e desviou três submarinos russos que realizavam um exercício secreto no Ártico. A atividade simulava o uso de uma arma para inutilizar cabos submarinos de dados e ocorreu perto do arquipélago norueguês de Svalbard.
A operação foi conduzida pela GUGI, direção russa de guerra submarina. O Reino Unido informou ter seguido e dissuadido os submarinos durante uma suposta operação encoberta que durou um mês e se concentrou nas proximidades de cabos e gasodutos submarinos considerados vitais para a ligação do arquipélago.
Apesar do treinamento, nenhum cabo foi danificado. Autoridades ocidentais disseram que o exercício tinha como objetivo simular o emprego da arma secreta em um eventual conflito com a Otan. Elas não divulgaram informações sobre a arma ou a tecnologia usada.
Durante a operação, autoridades britânicas e norueguesas comunicaram suas conclusões ao governo russo. O objetivo era dissuadir Moscou de utilizar a tecnologia. O Ministério da Defesa da Rússia não comentou o caso. O Kremlin nega de forma sistemática envolvimento em atos de sabotagem em países da Otan.
“Com a nossa operação conjunta enviámos uma mensagem clara à Rússia de que não pode operar de forma encoberta”, declarou o ministro da Defesa da Noruega, Tore Sandvik.
Infraestrutura submarina
Cabos submarinos de fibra óptica, com espessura semelhante à de uma mangueira de jardim, transportam quase todo o tráfego mundial de internet. Eles também são importantes para a conectividade global e para transações financeiras, o que os torna possíveis alvos para interrupção das comunicações.
Desde a destruição, em 2022, de três gasodutos submarinos Nord Stream, os países aliados da Otan passaram a concentrar mais atenção na proteção de infraestruturas submarinas. Desde 2023, foram observados mais navios fazendo levantamentos de gasodutos, cabos de energia e cabos de fibra óptica de telecomunicações.
Esse tipo de levantamento não é ilegal em águas internacionais, mas pode ser preparação para ações de sabotagem, segundo especialistas. “Agora está, tardiamente, a reconstruí-la, perante uma ameaça russa em crescimento”, afirmou Bruce Jones, pesquisador sênior da Brookings Institution, sobre a capacidade europeia de proteger essas estruturas.







