O político russo Nikolai Patrushev afirmou que a Polônia deixaria de existir em dois ou três dias caso entrasse em ações de guerra contra a Rússia. A declaração foi uma resposta às falas de Radosław Sikorski, vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Polônia, sobre a vantagem militar da Otan diante dos russos.
Patrushev foi chefe do Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia e é um dos colaboradores mais próximos de Vladimir Putin. Ao contestar a avaliação de Sikorski, disse que Moscou empregaria todo o arsenal de suas forças e meios em um eventual confronto.
“o Estado polaco deixará de existir ao fim de dois ou três dias”, declarou Patrushev. Ele também afirmou que o ministro polonês avaliava de maneira amadora a força militar russa e não compreendia que as Forças Armadas do país não utilizariam plenamente seu potencial durante a chamada operação militar especial.
Declarações sobre a capacidade da Otan
Sikorski falou em 11 de setembro, durante a conferência Yalta European Strategy (YES), em Kiev, na Ucrânia. Na ocasião, afirmou que a aliança teria vantagem militar clara sobre a Rússia e que poderia derrotá-la rapidamente se deixasse de se conter diante de um ataque.
O ministro destacou a capacidade aérea dos países europeus da Otan, que dispõem de cerca de 2.500 aeronaves militares. Também mencionou os ataques ucranianos contra a infraestrutura energética russa.
“Temos uma esmagadora superioridade sobre a Rússia no ar”, disse Sikorski. Segundo ele, se os ucranianos conseguiram paralisar metade da capacidade de refinação russa em seis meses, a Otan poderia fazer o mesmo em seis semanas e desativar a outra metade.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, também criticou o polonês. Em uma publicação nas redes sociais, classificou a declaração como “Russofobia cerebral”. A reação, porém, apresentou as palavras de Sikorski como se ele tivesse falado sobre uma guerra direta entre a Polônia e a Rússia, embora o ministro tivesse se referido ao potencial da Otan.
Apoio de John Cleese
O ator britânico John Cleese, integrante do grupo Monty Python, apoiou o discurso de Sikorski ao comentar o vídeo da fala. “Obrigado, Polónia”, escreveu nas redes sociais.
Cleese já havia elogiado Anne Applebaum, historiadora e vencedora do Prêmio Pulitzer, que é esposa de Sikorski. Applebaum afirmou que Vladimir Putin viu na Ucrânia um movimento democrático e temia que algo semelhante surgisse no futuro na Rússia. O ator chamou a análise de um trecho notável e claro sobre a Ucrânia.
Sikorski respondeu: “Nem todos os casais podem receber, no mesmo dia, um elogio do grande John Cleese”.
Episódios da trajetória de Sikorski
Antes de ocupar os cargos atuais, Sikorski trabalhou como jornalista e foi correspondente de guerra no Afeganistão, na década de 1980. Ele cobriu a luta dos mujahedines contra as tropas da União Soviética e relatou a experiência no livro “Prochy świętych. Afganistan. Czas wojny”, publicado em 2002.
Sikorski escreveu que, durante um ataque noturno a um quartel, disparou três carregadores, mas acreditava ter apenas desperdiçado munição e danificado tijolos antigos. Segundo o relato, ninguém ficou ferido.
Em 2016, o então deputado Michał Kamiński disse que Sikorski era o único político polonês vivo que conhecia que havia disparado contra russos e participado de uma guerra contra eles.
Em 2011, o então embaixador da Rússia junto à Otan, Dmitri Rogozin, publicou fotos de Sikorski no Afeganistão e questionou quantos russos o político teria matado. Também perguntou que tipo de jornalista participaria de um ataque de mujahedines a um posto soviético e dispararia três carregadores.
O Ministério das Relações Exteriores da Polônia não respondeu oficialmente na época. Foi destacado que Rogozin era conhecido por declarações semelhantes e de caráter provocativo.







