RÚSSIA — A Rússia iniciou nesta sexta-feira (18) três dias de votação para renovar as 450 cadeiras da Câmara baixa do Parlamento, a Duma Estatal. É a primeira eleição legislativa desde o início da guerra contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022, e o resultado será observado como um indicador do apoio da população à ofensiva no país vizinho.
Os russos votam de 18 a 20 de setembro. As previsões apontam para a manutenção da maioria do Rússia Unida, partido do presidente Vladimir Putin, em um sistema político sob forte controle do governo.
A campanha teve pouca visibilidade, com a imprensa submetida ao controle estatal e quase nenhum debate entre candidatos. Alexander Morozov, cientista político russo e pesquisador do New Eurasian Strategies Centre, afirmou que o Kremlin orientou a mídia a reduzir a cobertura eleitoral. Segundo ele, a campanha deveria ter um caráter “terapêutico”, para evitar mais tensão em uma sociedade afetada pela guerra e pela incerteza sobre o futuro.
Restrições à oposição
Os candidatos não têm autorização para criticar as operações militares, o andamento da guerra ou o Kremlin, de acordo com Nikolai Petrov, também pesquisador do New Eurasian Strategies Centre. As críticas permitidas se concentram em falhas administrativas, na execução de ordens de Vladimir Putin e em problemas locais.
Pelo menos 36 opositores do Rússia Unida foram desqualificados ou desistiram de disputar eleições nacionais ou regionais, conforme informações atribuídas ao veículo russo independente Verstka. Entre os motivos estão a exibição de símbolos classificados como extremistas e supostas violações de direitos autorais.
O Yabloko, partido liberal crítico do Kremlin, foi o mais afetado. Sua lista nacional foi vetada pela Suprema Corte, e pelo menos 19 candidatos foram excluídos ou desistiram. A legenda era a única registrada a defender abertamente o fim dos combates, embora sua posição se concentrasse na defesa de um cessar-fogo e de negociações.
Em 17 casos, as punições envolveram uma foto de Alexei Navalny, principal opositor de Vladimir Putin, morto na prisão em 2024, ou referências a organizações ligadas a ele.
Maioria governista prevista
Além do Rússia Unida, os outros quatro partidos com chances de conquistar cadeiras também apoiam a linha do Kremlin, ainda que com diferenças. Alexander Morozov disse que o objetivo é formar uma Duma cujos integrantes se apresentem, ao lado de Vladimir Putin, como responsáveis pela vitória contra a Ucrânia.
A expectativa é que o governo use o resultado para reafirmar a autoridade do presidente e apresentar a vitória do Rússia Unida como sinal de unidade nacional, apesar da guerra.







