A Comissão Eleitoral Central da Rússia confirmou nesta sexta-feira (25) os resultados finais das eleições legislativas realizadas entre 18 e 20 de setembro. O Rússia Unida, partido do presidente Vladimir Putin, conquistou 349 dos 450 assentos da Duma, a Câmara dos Deputados. Foi o melhor desempenho da legenda desde a chegada de Putin ao poder e superou o resultado de 2016, quando o partido havia obtido 343 cadeiras.
A votação também ocorreu em territórios ucranianos ocupados e anexados por Moscou. O Kremlin afirmou que o resultado demonstra amplo apoio à direção política atual. A União Europeia contestou a legitimidade do processo. Kaja Kallas, chefe da diplomacia do bloco, disse que o Kremlin silenciou a dissidência, excluiu o único partido registrado contrário à guerra na Ucrânia e impediu o acesso de observadores eleitorais internacionais. Para ela, restou na Rússia apenas a aparência de democracia.
As eleições foram realizadas sem a participação de partidos abertamente contrários ao conflito. O Yabloko, única legenda que se opõe publicamente à guerra, foi excluído da disputa nacional.
O novo Parlamento também terá 46 veteranos da guerra. Eles participaram diretamente da invasão da Ucrânia ou já combateram no conflito, número equivalente a mais de 10% da Duma. Desse grupo, 41 foram eleitos pelo Rússia Unida. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que a experiência dos combatentes será importante para o país. Putin já defendeu que veteranos formem uma nova elite política e administrativa na Rússia.
Denúncias e prisão de especialista
O processo eleitoral foi alvo de acusações de fraude. Foram relatadas possíveis pressões sobre eleitores, inconsistências em cédulas de papel, dificuldades para acompanhar a apuração e restrições à atuação de observadores independentes. Também houve a avaliação de que o apoio real ao partido governista seria inferior ao indicado pelos resultados oficiais.
No mesmo dia da confirmação dos resultados, a Justiça russa decretou a prisão preventiva do cientista político Alexandre Kynev, de 51 anos. Especialista em sistemas eleitorais e política regional, ele é conhecido por sua proximidade com setores liberais e opositores da guerra na Ucrânia.
Segundo agências de notícias russas, Kynev foi acusado de tráfico de drogas em larga escala, crime que pode levar a até 20 anos de prisão. Ele permaneceu na Rússia após a invasão da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, período em que o governo intensificou a repressão contra críticos do Kremlin.
Em fevereiro deste ano, as autoridades classificaram Kynev como “agente estrangeiro”. Nos dias anteriores à detenção, ele publicou análises sobre os resultados eleitorais em sua página no Facebook, seguida por mais de 20 mil pessoas. Na terça-feira (22), afirmou estar “muito cansado” após quatro meses monitorando o processo eleitoral.







