SAMBORONDÓN — Uma operação contra uma rede ligada ao Cartel Jalisco Nova Geração prendeu 39 pessoas no Equador, com participação de agentes antidrogas e militares dos Estados Unidos. A ação ocorreu em Samborondón, na região metropolitana de Guayaquil, e também alcançou as províncias de Guayas, Manabí e Los Ríos.
A polícia equatoriana realizou buscas em duas mansões nos arredores de Guayaquil. Segundo as autoridades, 320 agentes participaram da operação, apoiados por cerca de 50 militares e agentes antidrogas americanos. Os integrantes dos Estados Unidos usavam máscaras e uniformes com bandeiras do país.
Entre os presos estão apontados como líder e responsável financeiro de uma organização associada diretamente ao cartel mexicano. A corporação criminosa é considerada uma das maiores do México.
Participação americana
Esta foi a primeira aparição pública de agentes americanos no Equador, embora o governo de Daniel Noboa já tivesse anunciado a presença de tropas dos Estados Unidos no país. O ministro do Interior, John Reimberg, afirmou que o apoio americano foi decisivo para uma investigação de oito meses, que incluiu drones e equipamentos de inteligência.
Um decreto assinado por Noboa em junho permite que militares americanos permaneçam no Equador por até 180 dias. A medida estabelece um regime migratório especial e garantias de imunidade durante as atividades realizadas no país.
A operação ocorreu poucos dias depois de Noboa defender, na Assembleia Geral da ONU, uma cooperação internacional mais ampla contra o crime organizado transnacional. No mesmo período, Donald Trump anunciou a ampliação do Escudo das Américas, aliança regional de segurança criada para reforçar a colaboração entre países do continente.
Em uma reunião nesta semana, em Nova York, 14 países latino-americanos aderiram à nova etapa da estratégia, além dos Estados Unidos. Participam Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
Os países também adotaram uma declaração que identifica 24 organizações criminosas como ameaças regionais. O documento prevê congelamento de ativos, restrições de vistos e responsabilização de pessoas que financiem ou ofereçam apoio logístico aos grupos. Entre as organizações citadas estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
O governo brasileiro não aderiu à iniciativa e se opõe à classificação de facções do narcotráfico como organizações terroristas. A posição de Brasília é que PCC e Comando Vermelho têm objetivos essencialmente econômicos e não se encaixam na definição prevista na legislação nacional.







