IRAQUE — A coalizão antidjihadista liderada pelos Estados Unidos encerra nesta quarta-feira (30) sua missão no Iraque, após expulsar os jihadistas. A retirada das tropas, mobilizadas no país há 12 anos, foi anunciada por Joe Biden em 2024 e é executada agora pelo governo de Donald Trump.
A operação começou a deixar o Iraque em 2025, depois de sair da Síria no início deste ano. Na etapa final, a presença da coalizão ficou limitada ao aeroporto de Erbil, capital da região autônoma do Curdistão iraquiano, no norte do país.
O primeiro-ministro Ali al-Zaïdi pediu que a população comemore 1º de outubro, dia seguinte à saída dos militares, como o Dia da Soberania. Os chefes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário classificaram a data como um marco da trajetória iraquiana rumo à soberania e do fortalecimento das instituições estatais.
A retirada tem apoio entre os iraquianos, mas também provoca preocupação sobre a capacidade das forças de segurança treinadas e financiadas pelos Estados Unidos. A saída americana pode ampliar a influência do Irã e de seus aliados xiitas.
Na terça-feira (29), o Kataeb Hezbollah afirmou que a partida das forças estrangeiras é um avanço em direção à soberania, mas ameaçou o governo apoiado por Washington. “Um governo que não trabalhe pelo bem de seu povo será derrubado por todos os meios possíveis”, declarou o grupo.
Risco de reorganização do Estado Islâmico
Especialistas alertam que o Estado Islâmico tenta se reorganizar na região. Para Djassim al Bahadli, especialista em movimentos armados xiitas alinhados ao Irã, os vazios de segurança podem representar um risco elevado.
Os Estados Unidos invadiram o Iraque em 2003 para derrubar Saddam Hussein, ocuparam o país e instalaram um governo de maioria xiita. Após uma primeira retirada em 2011, as tropas americanas voltaram três anos depois para apoiar as forças iraquianas contra o Estado Islâmico, derrotado entre 2014 e 2017.
Mesmo depois da queda de seu autoproclamado califado, há quase dez anos, o grupo mantém uma rede ativa. Durante sua maior expansão, controlou um terço do território iraquiano.
O comandante curdo Sirouane Barzani avalia que a ausência de inteligência, apoio logístico e drones americanos pode facilitar a recomposição do grupo. O general reformado Mohammed al Djoubouri questionou se as instituições de segurança têm um plano alternativo para o período posterior à coalizão.
Ahmed Younis, analista político baseado em Bagdá, apontou ainda o risco de grupos aliados a Teerã ampliarem sua influência sobre as políticas do Estado e instituições importantes. Entre as ameaças citadas está a possibilidade de o Estado Islâmico obter drones armados ou adaptados com explosivos, enquanto o Iraque ainda não tem defesa aérea suficiente para neutralizá-los.
O Irã apresenta a retirada americana como uma vitória de seu chamado eixo da resistência, formado por grupos armados aliados na região. Durante a guerra no Oriente Médio, iniciada em fevereiro após ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, essas facções intensificaram ações contra tropas da coalizão no Curdistão iraquiano.







