A Ucrânia não discute, neste momento, uma lei para convocar mulheres obrigatoriamente às forças armadas. O Centro de Combate à Desinformação, ligado ao Conselho de Segurança e Defesa Nacional do país, também negou que a União Europeia esteja pressionando Kiev a adotar essa medida.
A alegação passou a circular nas últimas semanas na plataforma X e em canais de Telegram em língua russa. Segundo o centro ucraniano, a origem foi atribuída ao Serviço de Informações Externas da Rússia (SVR), que afirmou, sem apresentar provas, que Bruxelas estaria pressionando a Ucrânia a recrutar mulheres à força.
A mesma narrativa atribuiu a Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia, uma declaração de apoio à suposta iniciativa. O órgão ucraniano afirmou que essa atribuição é incorreta e disse não haver indícios de que alguma autoridade política da UE tenha feito tal exigência.
Declaração de comissário europeu
Andrius Kubilius, comissário europeu para a Defesa e o Espaço, também rejeitou a ideia. Em conversa com jornalistas a 11 de setembro, depois da primeira reunião do conselho da Aliança UE-Ucrânia para Drones, ele afirmou não ter “qualquer informação” sobre uma medida desse tipo.
“Diria que seria estranho se a Europa tentasse convencer os ucranianos sobre como devem organizar a mobilização, incluindo a mobilização de mulheres”, disse Kubilius. Ele acrescentou que não se surpreendia com a origem atribuída ao Kremlin.
Mulheres podem entrar voluntariamente nas forças de defesa ucranianas. De acordo com o Centro de Combate à Desinformação, porém, não há planos atuais para uma mobilização obrigatória nem projeto nesse sentido em discussão no Parlamento.
O órgão também contestou uma alegação anterior, segundo a qual meios de comunicação ocidentais estariam promovendo uma campanha pela convocação de mulheres. A narrativa teria usado como base um artigo sobre mulheres que servem no Exército, mas a referência à mobilização apareceu apenas uma vez, em uma opinião pessoal de uma operadora de drones identificada como Katya. Ela mencionou Israel e disse que gostaria de ver um modelo semelhante na Ucrânia; o artigo não defendia a adoção da medida.
Debate em outros países europeus
O tema do recrutamento feminino ganhou espaço em outros países. A Dinamarca estendeu o serviço militar obrigatório às mulheres a partir de julho de 2025, e as primeiras participantes devem entrar no sistema em 2026, por meio de um modelo semelhante a uma loteria. Noruega e Suécia já mantêm modelos de conscrição universal.
Na Alemanha, o governo decidiu, no final de 2025, criar um modelo voluntário de serviço militar para homens. A decisão também provocou debate sobre a participação das mulheres nas forças armadas. Na maioria dos países europeus com serviço obrigatório, contudo, o recrutamento feminino é voluntário.







