BRUXELAS — A União Europeia avalia liberar reservas estratégicas de petróleo para conter a alta dos preços, em meio à pressão dos Estados Unidos por uma ação coordenada. A decisão depende dos governos nacionais, que discutem o tema por meio da Agência Internacional da Energia (AIE), sediada em Paris.
O comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, afirmou que o uso das reservas é uma das alternativas em análise. A Comissão Europeia também realizou uma reunião com vários países, incluindo o Reino Unido, para avaliar diferentes cenários.
A oferta de combustíveis foi afetada pela guerra no Irã e pela redução da capacidade de refino. Nos Estados Unidos, o diesel chegou a US$ 7 por galão nos últimos dias. O petróleo Brent tem sido negociado entre US$ 97 e US$ 102 por barril desde o fim de setembro, alta de US$ 25 a US$ 30 em relação ao período anterior à guerra.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, pediu que os países europeus disponibilizassem novos estoques imediatamente. A pressão ocorre antes das eleições de meio de mandato, consideradas uma prioridade para o presidente Donald Trump.
Financiamento da Ucrânia
A Comissão Europeia declarou que as necessidades orçamentárias e militares da Ucrânia para 2026 estão cobertas. O anúncio encerrou as discussões sobre um déficit de US$ 27 bilhões apontado pelo Ministério da Defesa ucraniano no fim de agosto.
O valor havia provocado conversas técnicas entre Kiev e Bruxelas. A Comissão Europeia manteve distância do montante e pediu que a Ucrânia priorizasse reformas necessárias para liberar um empréstimo de € 90 bilhões.
O foco agora deve se voltar para 2027. A Ucrânia estima um déficit de US$ 78 bilhões no próximo ano: US$ 32,6 bilhões para o orçamento e US$ 45 bilhões para as forças armadas. O Fundo Monetário Internacional participa das discussões, mas ainda não apresentou uma estimativa atualizada.
Segundo Julie Kozack, diretora do departamento de comunicação do FMI, o déficit depois de 2026 dependerá da evolução da guerra, das reformas, do desempenho econômico e do apoio dos parceiros internacionais.
Montenegro e migração
Durante visita aos Bálcãs Ocidentais, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu que Montenegro resolva questões bilaterais com a Croácia. Os conflitos podem afetar o calendário para que o país se torne o 28.º membro da UE até 2028.
Von der Leyen também defendeu apoio entre os partidos montenegrinos ao processo de adesão. A política do país foi afetada pela controvérsia após o presidente do Parlamento, Andrija Mandić, publicar condolências pela morte de Ratko Mladić, em agosto.
A presidente da Comissão afirmou ainda que a UE precisa revisar suas instituições, políticas e orçamento para receber novos Estados-membros.
Em outra frente, a Grécia propôs suspender o direito de pedir asilo na UE em situações de chegada massiva de migrantes irregulares. O ministro da Migração e Asilo, Thanos Plevris, apresentou a ideia em uma reunião ministerial em Luxemburgo.
A proposta prevê um mecanismo excepcional, chamado Regime Especial de Derrogação, para casos de aumento rápido das chegadas, pressão sobre estruturas locais e indícios de organização dos fluxos por países terceiros. A medida permitiria devolver migrantes sem avaliação individual dos pedidos e poderia resultar em devoluções coletivas, atualmente proibidas pelo direito da UE.







