A União Europeia vai investir mais 200 milhões de euros na Gronelândia nos próximos dois anos. O anúncio foi feito por Ursula von der Leyen durante uma visita oficial a Nuuk, onde a presidente da Comissão Europeia defendeu que o futuro do território deve ser decidido pela população gronelandesa e pela Dinamarca.
O pacote busca ampliar os laços econômicos do bloco com a ilha e inclui ações em três áreas: conectividade digital, com cabos submarinos e estruturas de satélite; energia limpa, especialmente hidrelétrica; e extração sustentável de matérias-primas críticas.
Von der Leyen afirmou que o Ártico se tornou uma área de disputa geopolítica e disse que a União Europeia tem interesse direto no que ocorre na região. A presidente também declarou solidariedade ao Reino da Dinamarca e ao povo da Gronelândia, além de defender a integridade territorial, a soberania e a inviolabilidade das fronteiras.
A declaração ocorreu em meio às ameaças de Donald Trump de assumir o controle da Gronelândia, território semiautônomo ligado ao Reino da Dinamarca. As tensões aumentaram em janeiro, quando Trump ameaçou impor tarifas para pressionar a Dinamarca a ceder a ilha. Em julho, ele voltou a defender a anexação.
O primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, agradeceram o apoio europeu. Nielsen afirmou que a Gronelândia e a União Europeia precisam umas das outras. Frederiksen disse que a Dinamarca está disposta a trabalhar mais de perto com os Estados Unidos e a Europa em temas de segurança e defesa no Ártico.
A Gronelândia possui 25 dos 34 minerais considerados cruciais pela União Europeia para sistemas de energia renovável e tecnologias avançadas. A mineração local, porém, permanece abaixo do potencial por causa das condições glaciais e dos altos custos dos projetos. A China domina esse setor, o que deixa a UE exposta aos controles de exportação de Pequim.
Além do novo pacote, a Comissão Europeia reservou 530 milhões de euros especificamente para a Gronelândia na proposta do próximo orçamento da União Europeia. Nas próximas duas semanas, soldados de dez países participarão do exercício Arctic Shield, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).







