São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Extrema-direita francesa diverge após vitória da AfD em eleições alemãs

Reunião Nacional evita comentar o resultado, enquanto o Reconquête!, de Éric Zemmour, celebra o avanço da AfD.

Extrema-direita francesa diverge após vitória da AfD em eleições alemãs

A vitória da Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições da Saxónia-Anhalt expôs a distância entre os principais partidos da extrema-direita francesa. O Reunião Nacional (RN) não fez comentários públicos sobre o resultado, enquanto o Reconquête! celebrou o avanço da legenda alemã.

A AfD obteve 43,8% dos votos e ficou à frente da União Democrata-Cristã, partido do chanceler Friedrich Merz, que alcançou 17,2%. Marine Le Pen e Jordan Bardella, que fazem campanha para a Presidência e o cargo de primeiro-ministro da França, respectivamente, não mencionaram a eleição após a divulgação do resultado.

Distanciamento do Reunião Nacional

Bardella já havia sido questionado sobre a possibilidade de o RN restabelecer laços com a AfD durante o Fórum Ambrosetti, realizado na Itália. Ele respondeu que essa retomada não estava “previsto” e afirmou que a pressão eleitoral exercida pela AfD havia contribuído para mudanças no cenário político alemão.

A direção do RN mantém essa posição como parte de uma estratégia de normalização da imagem do partido, conduzida por Le Pen há mais de uma década. A legenda busca se afastar do racismo e do antissemitismo associados ao histórico de Jean-Marie Le Pen, fundador da formação.

O RN aparece com cerca de 34% a 36% das intenções de voto para Le Pen na primeira volta das eleições presidenciais previstas para abril de 2027, conforme sondagem IPSOS/BVA publicada no sábado.

Pierre-Romain Thionnet, dirigente do RN e eurodeputado dos Patriots for Europe, disse que o resultado alemão não deveria surpreender e citou imigração, identidade nacional e declínio social e industrial. Ele também afirmou que a decisão de o RN deixar de ser aliado da AfD no Parlamento Europeu permanece inalterada, por causa de divergências em questões históricas, de memória e política externa.

RN e AfD integravam o grupo Identidade e Democracia, que excluiu a legenda alemã em maio de 2024. Após as eleições para o Parlamento Europeu, a AfD participou da criação do grupo Europa das Nações Soberanas, formalizado em julho de 2024.

Apoio do Reconquête!

O Reconquête!, que integra o mesmo grupo europeu que a AfD, adotou posição oposta. A eurodeputada Sarah Knafo classificou o resultado como “históricos” em uma publicação na rede X. Éric Zemmour chamou o avanço da legenda alemã de “a hora da verdade” e disse que só anunciará em dezembro se disputará as eleições presidenciais francesas de 2027.

O partido se aproxima da AfD em temas como o conceito de “remigração”. Já o RN evita assumir essa formulação de maneira explícita e apresenta sua política como voltada à expulsão de imigrantes em situação irregular e de criminosos estrangeiros.

Para Gilles Ivaldi, professor de Ciência Política no Sciences Po Paris, a estratégia do Reconquête! é mais próxima da AfD. Ele afirmou que a legenda alemã adota uma postura mais radical, enquanto o RN tenta moderar seu programa para ampliar as chances de vitória nas eleições presidenciais.

Na primeira volta das eleições presidenciais francesas de 2022, Marine Le Pen obteve 23,15% dos votos, e a direita radical somou 7,07%.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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