São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
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Pressão orçamentária não deve reduzir rede diplomática da União Europeia

Pequenos países e empresas dependem das delegações, que já passam por uma reforma com centralização de tarefas administrativas.

Pressão orçamentária não deve reduzir rede diplomática da União Europeia

A União Europeia dificilmente reduzirá sua rede de delegações diplomáticas, apesar da pressão para cortar despesas no próximo orçamento plurianual do bloco. Países menores e empresas europeias dependem da estrutura, que já está sendo reorganizada com menos pessoal administrativo e maior concentração de funções na sede e em polos regionais.

Os governos dos Estados-membros negociam o Quadro Financeiro Plurianual para 2028-2034. Uma coalizão formada por países considerados frugais, entre eles Alemanha, Países Baixos e Suécia, defende uma redução de várias centenas de bilhões de euros na proposta orçamentária. As instituições europeias no exterior e o Fundo Europa Global estão entre os alvos mais prováveis de cortes.

A eventual diminuição da rede diplomática afetaria especialmente os países que mantêm poucas embaixadas próprias. Um diplomata europeu afirmou que esses Estados dependem fortemente das delegações da UE. A estrutura também é considerada relevante para empresas que buscam atuar em projetos e contratos fora do bloco.

Estrutura e reforma

De acordo com o relatório de 2025 do Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE), a União Europeia administra 145 delegações e escritórios, com quase 6 000 funcionários. A rede reúne servidores do SEAE, equipes da Comissão Europeia responsáveis por parcerias internacionais, proteção civil e ajuda humanitária, diplomatas cedidos por ministérios nacionais e funcionários locais.

O custo das delegações é associado principalmente à segurança e às instalações, e não ao pessoal. Por isso, funcionários europeus argumentam que alguns Estados-membros não conseguiriam manter uma presença diplomática própria nos países onde a UE atua.

Desde 1 de setembro, as delegações passam por uma reforma de modernização. O plano centraliza tarefas administrativas, gestão financeira e contratos na sede e em polos regionais que atendem grupos de países. O polo localizado na África do Sul, por exemplo, também cobre Botswana, Maurícia, Madagascar e Comores.

Com a mudança, as equipes diplomáticas locais ficaram menores e concentram-se no diálogo político com autoridades, empresas e outros atores. A reforma provocou oposição de sindicatos da função pública europeia. Um funcionário europeu resumiu o efeito como “uma centralização de poder”, com o enfraquecimento das delegações diante de Bruxelas.

Mudança no foco internacional

Durante o primeiro mandato de Ursula von der Leyen, a Comissão Europeia alterou o nome da Direção-Geral de Cooperação Internacional e Desenvolvimento (DG DEVCO) para Direção-Geral de Parcerias Internacionais (DG INTPA). A mudança acompanhou uma revisão da atuação do bloco em países terceiros.

A política passou a priorizar projetos de infraestrutura em áreas como matérias-primas críticas, conectividade e energia, além de iniciativas voltadas a empresas europeias. Um exemplo citado é a carta de intenções assinada pela mineradora australiana Viridis com a empresa química belga Solvay para o fornecimento de terras raras brasileiras, que serão processadas na fábrica da Solvay na França.

No próximo orçamento, a Comissão também pretende flexibilizar a distribuição do financiamento global. A proposta é reservar recursos por macrorregiões, como América Latina ou África, em vez de definir os valores por país. A medida busca permitir que a UE aproveite oportunidades comerciais e acordos de comércio.

Funcionários europeus defendem que as delegações são necessárias para administrar projetos com parceiros locais, porque parte dessas atividades não pode ser transferida para a sede. Ao mesmo tempo, países que mantêm representação própria nem sempre estão alinhados com a forma como Bruxelas se relaciona com países terceiros, e em alguns casos duplicam o trabalho da rede europeia.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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