A União Europeia propôs ao Canadá um estatuto de membro associado, em um formato inédito que pode redefinir a relação do bloco com países de fora da Europa. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fez o convite ao primeiro-ministro canadense, Mark Carney, que defende uma cooperação ampliada entre democracias com interesses comuns.
O acordo ainda precisa ser negociado e não há definição sobre os direitos e obrigações envolvidos. Os tratados europeus permitem acordos de associação com países terceiros ou organizações internacionais, mas a UE atualmente não prevê uma categoria formal de adesão associada. O Canadá também não pretende se tornar membro do bloco.
Carney afirmou que o nome dado ao arranjo é menos importante do que seu conteúdo. Entre as áreas de cooperação mencionadas por ele estão minerais críticos, indústria de defesa, inteligência artificial, capacidade de computação, segurança energética, espaço e pagamentos.
Possível modelo para outros países
A proposta é observada por governos que buscam estreitar relações com a União Europeia. O ministro australiano do Comércio, Don Farrell, disse que a Austrália acompanhará com interesse os próximos passos. A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, afirmou que Austrália e Nova Zelândia também poderiam seguir esse caminho.
A ministra das Relações Exteriores da Áustria, Beate Meinl-Reisinger, defendeu que parcerias além da adesão formal sejam oferecidas a países como Noruega, Islândia, Japão, Coreia do Sul e Nova Zelândia. O eurodeputado Tobias Cremer afirmou que recebe consultas de representantes australianos, britânicos e japoneses sobre o tema.
Carney relaciona a iniciativa à ideia de uma aliança entre potências intermediárias. “Uma aliança Canadá-UE criaria um farol para outras democracias”, declarou no Parlamento Europeu. Ele disse que não pretende criar um terceiro bloco para rivalizar com as grandes potências, mas fortalecer a resiliência e a soberania dos países participantes.
Reação de candidatos e risco transatlântico
O avanço da parceria preocupa países que aguardam há décadas a entrada na União Europeia, especialmente os dos Balcãs Ocidentais. A possibilidade de um novo formato para países de fora do continente é vista como capaz de alterar o debate sobre o alargamento e de afastar candidatos.
Obrad Kesić, chefe da missão da Bósnia e Herzegovina junto à UE, criticou a sucessão de propostas sobre o futuro da adesão. Para ele, a inclusão do Canadá pode ter efeitos negativos sobre países candidatos menores e abrir questões novas sobre os limites da expansão europeia.
Também existe o risco de aumento das tensões com os Estados Unidos. O presidente Donald Trump já ameaçou possíveis retaliações, segundo o texto, o que poderia pressionar países candidatos a escolher entre os dois blocos.
Para Tobias Cremer, a União Europeia pode liderar uma coalizão democrática por reunir países com diferentes capacidades e preservar os interesses de potências pequenas e médias. O resultado da negociação com o Canadá, porém, deverá definir se o formato será visto como uma ponte para novas parcerias ou como mais uma camada no complexo processo de aproximação à UE.







