A proposta de Donald Trump para um novo uniforme da Força Espacial dos Estados Unidos reacendeu uma discussão sobre o significado político de Starship Troopers. O desenho foi apresentado como inspirado na disciplina e na funcionalidade das fardas dos soldados do filme, mas Paul Verhoeven, diretor da produção, afirma que a referência desconsidera a sátira central da obra.
Em 6 de setembro, Trump publicou imagens geradas por inteligência artificial nas quais chamou o Novo México de “Nova América”, declarou a Lua território dos Estados Unidos e apareceu caracterizado como o Lanterna Verde. No mesmo conjunto de conteúdos, divulgou o esboço de um “uniforme de serviço” para a Força Espacial, criada em 2019, durante seu primeiro mandato.
A crítica de Verhoeven
“Não sei se este presidente percebe que o filme mostra estas personagens como fascistas sem saberem que o são. Esse é o ponto”, afirmou Verhoeven. O diretor também disse que a administração Trump deveria considerar que o filme foi construído a partir de referências ao estilo de Leni Riefenstahl, cineasta alemã associada ao regime nazista.
Lançado em 1997, Starship Troopers acompanha um grupo de amigos que se alista nas Forças Armadas e é levado a uma guerra intergaláctica. A história usa o conflito contra insetos espaciais para abordar patriotismo, colonialismo, xenofobia e a violência de um regime de inspiração fascista.
A produção é baseada no romance de Robert A. Heinlein. Verhoeven interpretou o livro como fascista, nacionalista e favorável ao governo militar. Para transformar esses elementos, recorreu a imagens associadas ao nazismo, incluindo uniformes de oficiais semelhantes aos usados pela Gestapo.
Uma sátira mal interpretada
Verhoeven já afirmou que pretendia transformar o que chamou de “livro de direita” em uma sátira negra sobre os perigos do fascismo. O diretor disse que os heróis do filme são fascistas sem saber disso e que essa característica continua sendo difícil de compreender para parte do público.
“Achei que as pessoas iam perceber e rir-se com isso. Mas não foi o caso”, declarou. Ele também afirmou ser cidadão holandês, não poder votar e viver nos Estados Unidos há 40 anos, além de considerar difícil compreender a cultura política do país.







