Paris aguarda há várias semanas a aprovação dos Estados Unidos para a nomeação de Aurélien Lechevallier como novo embaixador da França no país. O bloqueio do processo ocorre em meio ao aumento das tensões entre os dois governos e é considerado incomum nas relações entre aliados próximos.
A demora está ligada à reação americana a críticas feitas pela representação francesa junto às Nações Unidas em Genebra após uma votação realizada em julho passado. Os Estados Unidos estiveram entre os dez países que votaram contra a renovação do mandato do Alto-Comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk.
Em uma mensagem publicada no X, a representação francesa criticou a posição americana. “Os Estados Unidos já foram um modelo em matéria de direitos humanos. Isso não acontece mais”, escreveu. A publicação também afirmou que o país estava ao lado da Coreia do Norte, da Nicarágua, do Mali e da Rússia, além de estar isolado.
A resposta ocorreu durante uma reunião do Conselho de Segurança. A delegação dos Estados Unidos deixou a sala quando o embaixador francês Jérôme Bonnafont começava a falar. O vice-embaixador americano justificou a saída dizendo que um integrante do conselho pretendia dar lições sobre diferentes temas, incluindo direitos humanos.
Poucos dias depois, Washington interrompeu o processo de concessão do agrément, a aprovação oficial necessária para que Lechevallier assuma o posto. Ele ocupa atualmente o cargo de chefe de gabinete do ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot.
Processo de nomeação
Na França, o presidente nomeia os embaixadores para outros países. A atuação no país anfitrião, porém, depende da aprovação desse governo, formalizada em uma cerimônia. Para representantes franceses nos Estados Unidos, esse procedimento costuma ser uma formalidade, diferentemente do que ocorre com países como a Rússia e o Irã.
Discussões diplomáticas estão em andamento para solucionar a divergência, e Paris espera uma resolução rápida. A rejeição de um embaixador francês já ocorreu com o Vaticano e, mais recentemente, com Burkina Faso, mas nunca antes com um aliado tão próximo quanto os Estados Unidos.







