A Associação Nacional Rifle (ANR) destinou R$ 920 mil, quase 90% dos recursos recebidos para um projeto de tiro ao prato, a duas empresas que têm seu próprio presidente, Rafael Buscariol Zampaulo, como sócio-administrador. A entidade recebeu R$ 1 milhão por meio de um termo de fomento com o Ministério do Esporte para executar o projeto em Saltinho (SP).
Mais da metade do valor veio de uma indicação do deputado federal Mario Frias (PL-SP) ao orçamento da União em 2025. Também houve recursos indicados pelo deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP).
A Company Thzt Security LTDA recebeu R$ 527 mil, enquanto o Clube de Tiro Desportivo Red Neck LTDA recebeu R$ 392 mil. Os registros da Receita Federal apontam que Zampaulo é um dos sócios-administradores das duas empresas. Os pagamentos foram relacionados à compra de materiais e à contratação de pessoal para o projeto.
Gastos informados ao ministério
Notas fiscais enviadas ao Ministério do Esporte registram cerca de R$ 200 mil na compra de 10 máquinas lançadoras automáticas e R$ 62,4 mil em óculos de proteção balística. Também aparecem R$ 90 mil em munições calibre 12, R$ 110 mil por 72 diárias de estande de tiros e R$ 45,4 mil pela locação de dez espingardas.
O termo de fomento estabelece que a execução deve seguir o princípio da impessoalidade. Ao assinar o acordo, o presidente da ANR declarou que não contrataria, com os recursos da parceria, empresas do mesmo grupo econômico, com participação societária cruzada ou ligadas por participação societária a parentes de dirigentes ou funcionários. A declaração também mencionava empresas com o mesmo endereço, telefone e CNPJ.
Luiz Philippe de Orleans e Bragança afirmou que a indicação dos recursos considerou a finalidade pública e os critérios técnicos apresentados. “A execução financeira, as contratações e a prestação de contas são de responsabilidade da entidade executora, sujeitas à fiscalização dos órgãos competentes”, disse.
O deputado declarou ainda que cobrará esclarecimentos do Ministério do Esporte sobre a fiscalização e a regularidade da execução. Segundo ele, se houver irregularidade, os responsáveis deverão ser investigados e responsabilizados. Mario Frias e Rafael Zampaulo não responderam aos pedidos de manifestação.
Ministério diz que poderá cobrar devolução
O Ministério do Esporte afirmou que tomou conhecimento das possíveis irregularidades envolvendo empresas contratadas pela entidade. A pasta informou que uma declaração falsa pode gerar responsabilização civil e criminal e que, se as suspeitas forem confirmadas, poderá determinar a glosa das despesas, a devolução dos recursos, a reprovação das contas e a abertura de Tomada de Contas Especial.
O ministério também disse que poderá encaminhar representações aos órgãos de controle, ao Ministério Público e à Polícia Federal para apurar responsabilidades.
Na quinta-feira (10/9), Mario Frias foi alvo de um mandado de busca e apreensão determinado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, em um inquérito sobre a relação entre emendas parlamentares e o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal realizou a Operação Make Up e cumpriu 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará. Após a operação, Frias negou irregularidades e afirmou: “Vou colaborar com tudo que for pedido, vou entregar cada documento e vou seguir na rua, mantendo a minha agenda”.






