A campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos) retirou de uma propaganda do horário eleitoral gratuito um trecho em que o governador de São Paulo criticava o PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu principal adversário na disputa estadual, Fernando Haddad.
Na versão original, Tarcísio dizia que São Paulo só é a potência que é “porque o PT nunca foi governo aqui”. Em seguida, afirmava: “E a gente não vai deixar isso acontecer”. A propaganda foi exibida na última segunda-feira (31), sem a fala, mas com o restante do conteúdo.
A campanha declarou que o material acessado ainda não era final e estava em construção. Também informou que a coordenação estratégica não comenta as decisões adotadas para conduzir os trabalhos.
A menção ao PT aparecia nos 20 segundos finais da fala do governador, depois de comentários sobre os avanços de sua gestão no estado e sobre a importância da primeira-dama, Cristiane Freitas, em sua trajetória. A decisão de retirar o trecho foi atribuída ao próprio Tarcísio, que dá a palavra final sobre o conteúdo levado ao horário eleitoral gratuito.
A estratégia para tratar de Lula e do PT divide aliados do governador. O marqueteiro Pablo Nobel defende que Tarcísio assuma uma posição antipetista. Outros integrantes avaliam que a campanha deve dialogar também com eleitores que podem votar em Lula e que críticas ao PT precisam ser apresentadas com contexto.
Essa avaliação considera pesquisas de intenção de voto que indicam a existência de voto casado entre Tarcísio e Lula, chamado por especialistas de voto “Tarula”. Na última pesquisa Quaest para o governo, divulgada no mês passado, 11% dos eleitores lulistas declararam voto em Tarcísio. O governador também recebeu o apoio de 11% dos eleitores que se identificam como “esquerda não lulista”.
Fernando Haddad registrou percentuais menores entre eleitores de “direita não bolsonarista” (4%) e bolsonaristas (2%). Integrantes da campanha de Lula avaliam que o voto “Tarula” pode aumentar conforme o envolvimento de Tarcísio na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).







