A lógica política associada ao malufismo, antes centrada na promessa de grandes obras, ganhou uma nova configuração no governo de Tarcísio de Freitas. Rodovias, trens, túneis, moradias e concessões são reunidos em uma agenda de projetos que mistura anúncios, contratos, obras iniciadas e entregas como se fossem sinais equivalentes de realização.
Durante a ditadura militar e os anos de Nova República, Paulo Salim Maluf construiu campanhas em torno de viadutos, avenidas e intervenções urbanas. A imagem das obras, porém, deixava em segundo plano questões sobre prioridades, custos e interesses atendidos. A expressão “rouba, mas faz”, originada na política de Adhemar de Barros, tornou-se uma das marcas mais conhecidas do malufismo.
Na versão atual, o capital privado ocupa o centro do discurso. Concessões e parcerias são apresentadas como soluções, mas também levantam dúvidas sobre tarifas, benefícios fiscais, fiscalização e custos futuros para a população. Ao analisar as contas de 2025 do governo paulista, o Tribunal de Contas do Estado aprovou os números com ressalvas e apontou a necessidade de reforçar os controles diante da expansão desses modelos.
Financiamento e transparência
O BNDES participa com bilhões de reais de projetos como o Rodoanel Norte, a expansão da Linha 2 do Metrô e o Trem Intercidades. Ainda assim, o financiamento público costuma aparecer menos do que a imagem política das obras. A relação entre o governo e a Faria Lima, portanto, torna a transparência das contas indispensável.
Em 2022, Fabiano Zettel declarou uma doação eleitoral de R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio. Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Anos depois, Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que doações às campanhas de Tarcísio e Bolsonaro teriam funcionado como contrapartidas de um acordo indevido.
Tarcísio nega a acusação e diz que sua campanha cumpriu a lei. A alegação ainda precisa ser comprovada. O episódio, porém, recoloca questões sobre quem financia a campanha, quem recebe oportunidades de negócio e quem arca com os custos das decisões públicas.







