São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

A nova face do malufismo combina obras, concessões e capital privado

A estratégia associada a Tarcísio de Freitas desloca o foco das obras para concessões e parcerias financiadas, em parte, com recursos públicos.

As metamorfoses do malufismo: da promessa de obras à retórica da extrema direita

A lógica política associada ao malufismo, antes centrada na promessa de grandes obras, ganhou uma nova configuração no governo de Tarcísio de Freitas. Rodovias, trens, túneis, moradias e concessões são reunidos em uma agenda de projetos que mistura anúncios, contratos, obras iniciadas e entregas como se fossem sinais equivalentes de realização.

Durante a ditadura militar e os anos de Nova República, Paulo Salim Maluf construiu campanhas em torno de viadutos, avenidas e intervenções urbanas. A imagem das obras, porém, deixava em segundo plano questões sobre prioridades, custos e interesses atendidos. A expressão “rouba, mas faz”, originada na política de Adhemar de Barros, tornou-se uma das marcas mais conhecidas do malufismo.

Na versão atual, o capital privado ocupa o centro do discurso. Concessões e parcerias são apresentadas como soluções, mas também levantam dúvidas sobre tarifas, benefícios fiscais, fiscalização e custos futuros para a população. Ao analisar as contas de 2025 do governo paulista, o Tribunal de Contas do Estado aprovou os números com ressalvas e apontou a necessidade de reforçar os controles diante da expansão desses modelos.

Financiamento e transparência

O BNDES participa com bilhões de reais de projetos como o Rodoanel Norte, a expansão da Linha 2 do Metrô e o Trem Intercidades. Ainda assim, o financiamento público costuma aparecer menos do que a imagem política das obras. A relação entre o governo e a Faria Lima, portanto, torna a transparência das contas indispensável.

Em 2022, Fabiano Zettel declarou uma doação eleitoral de R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio. Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Anos depois, Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que doações às campanhas de Tarcísio e Bolsonaro teriam funcionado como contrapartidas de um acordo indevido.

Tarcísio nega a acusação e diz que sua campanha cumpriu a lei. A alegação ainda precisa ser comprovada. O episódio, porém, recoloca questões sobre quem financia a campanha, quem recebe oportunidades de negócio e quem arca com os custos das decisões públicas.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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