São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Cassinos on-line concentram proposta do governo contra as bets

Medida em análise prevê prazo de 180 dias e preserva as apostas esportivas, enquanto clubes temem efeitos sobre patrocínios.

Cassinos on-line concentram proposta do governo contra as bets

O governo prepara uma medida provisória voltada principalmente aos cassinos on-line, modalidade que representa 73,9% do volume movimentado pelo setor, segundo a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL). As apostas esportivas, responsáveis por 26,1%, devem ser mantidas. O jogo Tigrinho está entre os alvos da proposta.

A distinção preocupa clubes de futebol. Palmeiras, Flamengo, Corinthians, Santos, Botafogo, Fluminense e Vasco, entre outras equipes, divulgaram um manifesto na noite de quinta-feira contra “mudanças abruptas” no mercado. Os clubes afirmam que as bets se tornaram uma das principais fontes de patrocínio do futebol e avaliam que uma restrição aos cassinos pode afetar indiretamente contratos esportivos. As empresas autorizadas, porém, operam as duas modalidades conjuntamente.

O governo ainda analisa como lidar com as autorizações já concedidas e com a arrecadação gerada pelas empresas. As plataformas pagaram outorgas para funcionar legalmente. Por isso, uma interrupção antes do encerramento das permissões pode resultar em pedidos de compensação e processos judiciais. Uma das alternativas em estudo é estabelecer 180 dias entre a aprovação da medida e o início da proibição.

Endividamento e pressão política

Um estudo do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) calculou que, em 2025, as famílias brasileiras tiveram uma perda líquida de 62,5 bilhões de reais com as bets, considerando a diferença entre os depósitos e os prêmios recebidos. No mesmo período, as plataformas registraram 350,97 bilhões de reais em transferências por Pix.

O tema ganhou espaço na campanha depois que Lula passou a associar as apostas ao endividamento e à proteção das famílias. Na segunda-feira 14, o presidente classificou as bets como uma “doença” e disse que o governo anunciaria uma decisão em breve. Ele também relatou uma reunião fora da agenda, no fim de semana, com pessoas afetadas pelo vício em apostas, que mencionaram dependência e dívidas.

A proposta foi elaborada pela Fazenda e está na etapa final de avaliação pelo Planalto. Em abril, Lula havia declarado que, se dependesse dele, as bets seriam fechadas. Desde então, o assunto foi discutido em reuniões do governo e da campanha.

A iniciativa ocorre junto de outros anúncios feitos na reta final da campanha. Na quinta-feira 17, Lula assinou um reajuste de 15% do Bolsa Família. O benefício mínimo passará de 600 para 691 reais a partir de outubro. No mesmo dia, o presidente prometeu ampliar, pelo SUS, o acesso gratuito a canetas emagrecedoras.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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