A abstenção pode influenciar uma eleição presidencial equilibrada, mas a ausência de segundo turno para governador teria efeito limitado sobre a votação para presidente em 2026. A conclusão é de um estudo do BTG Pactual, que analisou dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao simular como seria o resultado de 2022 se todos os eleitores aptos tivessem votado, o banco calculou uma mudança de 1,4 a 2,1 pontos porcentuais na margem entre esquerda e direita. A variação depende da metodologia usada e está principalmente relacionada à escolaridade dos eleitores.
O BTG também comparou esse efeito com as diferenças registradas nos segundos turnos presidenciais de 2014 e 2022, de 3,3 e 1,8 pontos porcentuais. Por isso, embora o impacto da abstenção seja limitado, ele pode ter importância em uma disputa decidida por poucos pontos.
O estudo combinou informações do TSE sobre comparecimento e abstenção com quatro exercícios, entre eles a reponderação de uma pesquisa Datafolha pela taxa histórica de ausência e simulações sobre o comportamento dos eleitores que não foram às urnas.
A escolaridade foi a característica que mais alterou a margem. Na reponderação da pesquisa Datafolha de agosto pela abstenção de 2022, o deslocamento estimado foi de 0,7 ponto porcentual. Sexo, idade e região tiveram efeitos menores.
Entre os 31 milhões de eleitores que não votaram no segundo turno de 2022, 54% tinham no máximo ensino fundamental. Entre os que compareceram, esse percentual era de 38%. Os eleitores com 70 anos ou mais representavam 26% dos abstencionistas e 5% dos votantes.
Efeito do segundo turno estadual
Na análise das seis eleições presidenciais com segundo turno desde 2002, a abstenção para presidente aumentou, em média, 1,1 ponto porcentual a mais nos Estados sem disputa para governador na segunda rodada. Quando os eleitorados estaduais foram ponderados por tamanho, a diferença caiu para 0,3 ponto. Em cidades com mais de 50 mil eleitores, o efeito ficou próximo de zero.
O fenômeno perdeu força ao longo do tempo. Entre 2002 e 2010, a associação com o aumento da abstenção foi maior. De 2014 a 2022, a estimativa caiu para 0,4 ponto no painel dos Estados.
Para este ano, o BTG estima que 13 Estados tendem a escolher o governador no primeiro turno. Nesse cenário, a abstenção presidencial nacional aumentaria 0,19 ponto porcentual com os coeficientes de todo o período analisado. Considerando apenas as três eleições mais recentes, o efeito seria nulo ou levemente negativo.
Os analistas Tiago Berriel e João Aveiro escreveram que “O canal existe e costuma ser citado, mas os dados sugerem que hoje ele é quantitativamente pequeno”. O estudo estima que o impacto sobre a margem presidencial seria de apenas alguns centésimos de ponto porcentual e não avaliou se uma disputa estadual poderia deslocar votos para o candidato presidencial do mesmo campo político.







