São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Abstenção pode alterar margem presidencial, mas 2º turno estadual teria efeito limitado

Estudo do BTG Pactual estima impacto de até 2,1 pontos porcentuais na margem de 2022 e efeito nacional de 0,19 ponto neste ano.

Abstenção pode alterar margem presidencial, mas 2º turno estadual teria efeito limitado

A abstenção pode influenciar uma eleição presidencial equilibrada, mas a ausência de segundo turno para governador teria efeito limitado sobre a votação para presidente em 2026. A conclusão é de um estudo do BTG Pactual, que analisou dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ao simular como seria o resultado de 2022 se todos os eleitores aptos tivessem votado, o banco calculou uma mudança de 1,4 a 2,1 pontos porcentuais na margem entre esquerda e direita. A variação depende da metodologia usada e está principalmente relacionada à escolaridade dos eleitores.

O BTG também comparou esse efeito com as diferenças registradas nos segundos turnos presidenciais de 2014 e 2022, de 3,3 e 1,8 pontos porcentuais. Por isso, embora o impacto da abstenção seja limitado, ele pode ter importância em uma disputa decidida por poucos pontos.

O estudo combinou informações do TSE sobre comparecimento e abstenção com quatro exercícios, entre eles a reponderação de uma pesquisa Datafolha pela taxa histórica de ausência e simulações sobre o comportamento dos eleitores que não foram às urnas.

A escolaridade foi a característica que mais alterou a margem. Na reponderação da pesquisa Datafolha de agosto pela abstenção de 2022, o deslocamento estimado foi de 0,7 ponto porcentual. Sexo, idade e região tiveram efeitos menores.

Entre os 31 milhões de eleitores que não votaram no segundo turno de 2022, 54% tinham no máximo ensino fundamental. Entre os que compareceram, esse percentual era de 38%. Os eleitores com 70 anos ou mais representavam 26% dos abstencionistas e 5% dos votantes.

Efeito do segundo turno estadual

Na análise das seis eleições presidenciais com segundo turno desde 2002, a abstenção para presidente aumentou, em média, 1,1 ponto porcentual a mais nos Estados sem disputa para governador na segunda rodada. Quando os eleitorados estaduais foram ponderados por tamanho, a diferença caiu para 0,3 ponto. Em cidades com mais de 50 mil eleitores, o efeito ficou próximo de zero.

O fenômeno perdeu força ao longo do tempo. Entre 2002 e 2010, a associação com o aumento da abstenção foi maior. De 2014 a 2022, a estimativa caiu para 0,4 ponto no painel dos Estados.

Para este ano, o BTG estima que 13 Estados tendem a escolher o governador no primeiro turno. Nesse cenário, a abstenção presidencial nacional aumentaria 0,19 ponto porcentual com os coeficientes de todo o período analisado. Considerando apenas as três eleições mais recentes, o efeito seria nulo ou levemente negativo.

Os analistas Tiago Berriel e João Aveiro escreveram que “O canal existe e costuma ser citado, mas os dados sugerem que hoje ele é quantitativamente pequeno”. O estudo estima que o impacto sobre a margem presidencial seria de apenas alguns centésimos de ponto porcentual e não avaliou se uma disputa estadual poderia deslocar votos para o candidato presidencial do mesmo campo político.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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