São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Eleição russa ocorre sem oposição anti-guerra e sob temor de mobilização

Votação para a Duma e governos regionais reúne apenas partidos alinhados a Vladimir Putin e ao conflito na Ucrânia.

Eleição russa ocorre sem oposição anti-guerra e sob temor de mobilização

Os russos começaram a votar em uma eleição de três dias que renovará os 450 assentos da Duma e escolherá os governadores de 11 regiões federais. O pleito ocorre sem a participação do Yabloko, único partido publicamente contrário à guerra contra a Ucrânia ainda em funcionamento dentro da Rússia, e sob receios de uma nova mobilização militar.

A votação, entre 18 e 20 de setembro, também definirá deputados para os parlamentos regionais de 39 entidades federais. Foram abertas assembleias de voto em passagens de fronteira com a Polônia e os três Estados bálticos. Também há votação em áreas da Ucrânia ocupadas por tropas russas, processo que não é reconhecido como legítimo por Kiev nem pelos países ocidentais.

O Yabloko chegou a ter autorização inicial para concorrer, mas foi impedido de participar. O partido registrou aumento de apoio nas redes sociais, principalmente entre os mais jovens. Apenas legendas favoráveis a Putin e à guerra aparecem nas cédulas.

Um diplomata europeu que não quis ser identificado classificou a eleição como “quase uma farsa” e disse que ela funciona como um ritual que o Kremlin considera necessário para buscar uma participação elevada. Observadores independentes já haviam registrado o uso de recursos estatais para influenciar os resultados, incluindo transporte de eleitores, pressão sobre funcionários públicos e incentivo ao voto eletrônico, considerado mais fácil de monitorar e controlar.

Guerra e temor de recrutamento

Quase 200 candidatos participaram da guerra da Rússia na Ucrânia, segundo as comissões eleitorais. O Kremlin os apresentou como parte da “verdadeira elite” do país, mas a iniciativa também é descrita como uma ferramenta de recrutamento para reforçar as tropas russas na linha de frente, embora poucos tenham chances reais de eleição.

Antes da votação, Putin pediu que os russos fossem às urnas para demonstrar às tropas que “atrás dos nossos combatentes estão milhões de pessoas” e responder a quem pretende enfraquecer a Rússia. Muitos eleitores temem uma nova mobilização, apesar de o presidente ter negado duas vezes, em apenas três dias de setembro, planos para um novo recrutamento.

Foram contabilizados 17 desmentidos oficiais sobre uma mobilização iminente. No outono de 2022, a Rússia convocou 300 mil reservistas, provocando alarme público e a saída em massa de homens em idade de combater. Tatiana Stanovaya, do Carnegie Russia Eurasia Centre, considera improvável uma nova mobilização e afirmou que ficaria “muito, muito surpreendida” se ela ocorresse.

Os ataques ucranianos com drones de longo alcance contra infraestruturas russas aumentaram os receios. As ações tentam cortar o financiamento da máquina de guerra e provocaram falta de combustíveis e prejuízos econômicos de milhares de milhões de euros, segundo a descrição apresentada no contexto da eleição.

Oposição fora da disputa

Os principais opositores de Putin estão presos, no exílio ou mortos. Alexei Navalny, seu crítico mais conhecido, morreu em uma colônia penal russa em 2024. A oposição russa no exílio pediu que os cidadãos não boicotassem a eleição, mas votassem contra o partido de Putin. Yulia Navalnaya, viúva de Navalny, também chamou os russos contrários à guerra a votar ao meio-dia de domingo.

O presidente do Yabloko, Nikolay Rybakov, defendeu a não participação e questionou a possibilidade de votar em responsáveis por mortes na Rússia e na Ucrânia.

Putin governa a Rússia desde 1999, e o partido Rússia Unida domina a política desde o início dos anos 2000. Os poderes da Duma foram reduzidos durante seu governo, limitando a casa principalmente à aprovação de projetos apresentados pelo Kremlin. A atuação rendeu ao Parlamento o apelido de “impressora louca”, associado à rapidez na aprovação de leis restritivas e controversas.

Em 2011, denúncias de fraude na eleição para a Duma e o retorno de Putin à Presidência desencadearam os maiores protestos de rua da Rússia desde o fim da União Soviética. Atualmente, críticas à guerra são tratadas pela legislação russa como “descrédito do exército” e podem resultar em prisão.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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