Flávio Bolsonaro mudou, no intervalo de poucas horas, sua versão sobre a relação com Daniel Vorcaro e o financiamento de “Dark Horse”, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. Pela manhã, o senador negou ter negociado pagamentos com o banqueiro. No fim da tarde, admitiu os laços e disse que buscava patrocínio privado para contar a história do pai.
A negociação envolvia 24 milhões de dólares, cerca de R$ 134 milhões conforme as cotações da época do acordo. Questionado sobre os pagamentos, Flávio afirmou: “É mentira”. Depois, publicou um vídeo em suas redes sociais reconhecendo a relação com Vorcaro e justificando a operação como iniciativa de um filho em busca de apoio para um projeto sobre o pai.
Documentos, áudios e mensagens detalharam a negociação e a proximidade da família Bolsonaro com o dono do Banco Master. Em uma mensagem de WhatsApp, Flávio escreveu a Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre”. O banqueiro foi preso enquanto era investigado por uma fraude bancária que teria provocado um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito, o FGC.
A defesa pública do senador também afirmou que o filme não tinha dinheiro público. A apuração, porém, relacionou recursos públicos ao banco, incluindo R$ 2,6 bilhões da Rioprevidência, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores inativos do Rio de Janeiro, e R$ 400 milhões investidos pela previdência do Amapá em ativos do banco.
Assim, a afirmação de que o projeto tinha “zero de dinheiro público” foi contestada pelos dados sobre os recursos destinados ao Banco Master. Flávio havia declarado, no sábado, 9, em um evento em Santa Catarina, que “O pix é do Bolsonaro, o Master é do Lula”.






