Flávio Bolsonaro afirmou que, se for eleito presidente da República, pretende proteger as instituições e manter a distinção entre críticas ao ministro Alexandre de Moraes e ao Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração ocorreu após uma visita ao ex-assessor internacional Filipe Martins, preso em Ponta Grossa, no Paraná.
Martins foi condenado pela Primeira Turma do STF a 21 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. A visita foi autorizada por Moraes. Flávio disse que o ex-assessor é uma pessoa importante para seu grupo político e que não cometeu irregularidades.
O senador defendeu que o Senado analise o pedido de impeachment de Moraes e declarou que já existem mais de 54 pedidos parados na Casa. Ele também criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por admitir a possibilidade de autorizar um processo contra André Mendonça caso aumente a pressão pela abertura de um procedimento contra Moraes.
Críticas concentradas em Moraes
Flávio acusou Moraes de usar o inquérito das Fake News para perseguir pessoas e chamou o gabinete do ministro de estrutura de perseguição. Em sua avaliação, os atos de um magistrado não devem ser associados à Corte inteira. “Hoje, Alexandre de Moraes é uma laranja podre dentro do Supremo Tribunal Federal”, afirmou.
Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que Mendonça seja investigado por suposto abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O ministro também questionou a imparcialidade do colega e o acusou de favorecer grupos políticos em apurações sobre fraudes em descontos associativos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e sobre o Banco Master.
O pedido ocorreu dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que mencionava mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, a um contato atribuído a Moraes. Vorcaro buscava interferir nas investigações e obter informações sobre os procedimentos que resultaram em sua prisão em novembro do ano passado.
Tentativa de preservar diálogo
Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, procurou o ministro Gilmar Mendes. Marinho afirmou que a campanha pretende cobrar a Suprema Corte, mas não considera o tribunal um adversário. Também disse que um eventual novo governo teria interesse em preservar a relação institucional com o STF, o respeito às instituições e a normalidade democrática.
Flávio declarou que o Supremo deve ser protegido de pessoas que, segundo ele, não têm condições de permanecer no cargo. A campanha passou a concentrar as críticas em Moraes, em vez de direcioná-las à instituição como um todo.







