SÃO PAULO — Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentram no Sudeste as agendas da reta final antes do primeiro turno, marcado para domingo (4). A região reúne 66.329.375 eleitores, o equivalente a 42% do eleitorado brasileiro, e inclui os três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Flávio esteve em São Paulo na terça-feira (29) e ainda deve passar pelo Rio de Janeiro e por Minas Gerais. Lula foi a Juiz de Fora (MG) nesta quarta-feira (30), em uma agenda que também mira repetir a vitória obtida no estado em 2022.
O peso eleitoral da região
São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro concentram pouco mais de 63,3 milhões de eleitores. Com a inclusão do Espírito Santo, que tem quase 3 milhões de votantes, os quatro estados formam o maior colégio eleitoral do Brasil. No conjunto, os eleitores do Sudeste representam 41,78% do eleitorado nacional.
Pesquisa da Quaest divulgada na segunda-feira (28), sob registro BR-06520/2026, mostrou Flávio com 35% das intenções de voto na região e Lula com 33%. A margem de erro do recorte regional é de três pontos.
Levantamento do Datafolha divulgado na quinta-feira (24), com registro BR-00304/2026, indicou 48% para o senador e 42% para o presidente na soma dos quatro estados. A diferença está dentro da margem de erro.
Minas Gerais é o único estado do Sudeste em que Lula aparece numericamente à frente. Pesquisa do Datafolha divulgada na sexta-feira (25), sob registro BR-06824/2026, apontou 39% para o presidente e 37% para Flávio. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, pesquisas sob os registros BR-05762/2026 e BR-09355/2026 mostraram vantagem numérica do senador, fora da margem de erro. O cenário também foi registrado no Espírito Santo, em pesquisa da Quaest sob registro BR-03414/2026.
O resultado de 2022
O desempenho do Sudeste teve peso na vitória de Lula sobre Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2022. A diferença nacional foi de 2,1 milhões de votos, a menor margem da história das disputas presidenciais, conforme os dados apresentados.
Na comparação com o desempenho de Fernando Haddad (PT) em 2018, Lula conquistou 13 milhões de votos a mais no Brasil e 7,8 milhões a mais no Sudeste no segundo turno de 2022.
Em São Paulo, embora tenha perdido no segundo turno, Lula obteve 4,3 milhões de votos paulistas a mais para o PT do que Haddad em 2018. No Rio de Janeiro, o partido conquistou 1,5 milhão de votos a mais no interior, apesar da derrota no estado e na capital. Em Minas Gerais, Lula venceu no segundo turno e alcançou 1,8 milhão de votos a mais que Haddad, mesmo tendo perdido na capital.
O cientista político Bruno Silva, pesquisador do Laboratório de Política e Governo da Unesp (Universidade Estadual Paulista), afirmou que a campanha de Lula em 2022 enfatizou a recuperação socioeconômica após a pandemia de covid-19, a retomada do poder de compra e o fortalecimento dos programas de transferência de renda. A escolha de Geraldo Alckmin para a vice-presidência também foi apresentada como uma forma de dialogar com o eleitorado moderado, com o mercado e com o interior paulista.
Indecisos no centro da disputa
Os dois candidatos aparecem nas primeiras posições dos levantamentos realizados desde janeiro, em um cenário de maior proximidade. Na quarta-feira (30), a Central de Pesquisas registrava Lula com 41,1% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio com 40,1%. Os dois estavam empatados dentro da margem de erro.
A menos de uma semana da votação, as campanhas passaram a mirar especialmente os eleitores indecisos. Pesquisa da Quaest divulgada na segunda-feira (28) mostrou que esse grupo caiu de 8% para 5% em uma semana. No levantamento espontâneo, sem a apresentação dos nomes dos candidatos, a parcela dos indecisos recuou de 35% para 31%. Lula tinha 31% e Flávio, 27%.
Segundo Bruno Silva, “O Sudeste continua sendo o grande fiel da balança e a principal arena decisiva do país”.
Os levantamentos indicam que as mulheres, especialmente as de baixa renda, são maioria entre os indecisos. Lula tem anunciado medidas voltadas a esse público, como o reajuste de 15% no Bolsa Família, além de defender o fim das bets e explorar o tema da soberania nacional.
Flávio mantém uma estratégia voltada ao eleitorado conservador e aos segmentos com renda de até dois salários mínimos. Também tem concentrado esforços na crítica ao governo atual e em temas como o custo de vida, os preços dos supermercados e as dificuldades de pequenos empreendedores.
Na segunda-feira (28), durante agenda na capital paulista, o candidato pediu que eleitores que pretendiam apoiá-lo apenas no segundo turno antecipassem o voto. “O Brasil tem que começar a mudar rápido”, declarou.








