A disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparece tecnicamente empatada nas pesquisas agregadas, a menos de duas semanas do primeiro turno. Na quarta-feira (23), Lula tinha 39,7% das intenções de voto, contra 39% de Flávio, de acordo com a Central de Pesquisas do Nexo. A diferença está dentro da margem de erro.
A possibilidade de uma vitória no primeiro turno existe para os dois candidatos porque os demais presidenciáveis somam cerca de 16,6% no agregado. Para vencer nessa etapa, o candidato precisa obter 50% mais um dos votos nominais, excluídos os votos brancos e nulos.
Desde a redemocratização, em 1988, a eleição presidencial só foi definida no primeiro turno em 1994 e 1998, quando Fernando Henrique Cardoso foi eleito.
Pesquisas e fatores da disputa
Outro levantamento, da AtlasIntel/Bloomberg, registrou 45,8% para Lula e 43,4% para Flávio no primeiro turno. Os demais candidatos somaram menos de 10%. Para Talita Tanscheit, professora de ciência política da PUC-Rio, o cenário se aproxima do segundo turno, embora ainda esteja na primeira etapa da votação. Ela descreveu “um voto de rejeição que está sendo antecipado”.
Mariana Chaise, professora do Departamento de Ciência Política da Unicamp e pesquisadora do Cesop, avaliou que a definição em primeiro turno é improvável porque não há uma vantagem ampla entre os líderes, baixa rejeição nem candidaturas menores suficientemente fracas. Tanscheit destacou que a volatilidade do cenário dificulta previsões.
As pesquisas espontâneas, nas quais os entrevistados não recebem uma lista de candidatos, mostram vantagem de Lula. Na Quaest, divulgada na segunda-feira (21), ele tinha 31%, contra 26% de Flávio. O grupo de indecisos correspondia a 35%. A concentração desses eleitores em um dos dois líderes pode alterar a disputa.
A abstenção também interfere no resultado porque reduz o número absoluto de votos necessário para alcançar a maioria dos votos válidos. No primeiro turno de 2022, 20,9% da população em idade eleitoral obrigatória, de 18 a 70 anos, não votou. Segundo Chaise, o efeito depende de quais grupos deixarem de comparecer.
A rejeição é outro obstáculo. Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg de quarta-feira (23), 51,6% disseram que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto 50,6% deram a mesma resposta sobre Flávio. Renan Santos (Missão) tinha a maior rejeição entre os demais candidatos, com 33,5%.
Caminhos para Lula e Flávio
Lula teve seu melhor resultado no primeiro turno em 2006, com 48,6% dos votos válidos, contra 41,6% de Geraldo Alckmin. Em 2022, marcou 48,4%, enquanto Jair Bolsonaro alcançou 43,2%. Para Tanscheit, o histórico do PT dificulta uma vitória antecipada, embora a aprovação do governo possa ajudar. Na AtlasIntel/Bloomberg, Lula tinha 45% de aprovação e 53% de desaprovação. Na Datafolha, os índices eram de 48% e 50%, respectivamente.
O governo também anunciou reajuste de 15% no Bolsa Família, medida que, segundo Rodrigo Mahlmeister, doutorando em ciência política na Universidade de Duke, pode aumentar o engajamento de um segmento já simpático à gestão.
Para Flávio, o principal caminho seria o voto útil: a migração de eleitores de candidaturas menores para um dos líderes na reta final. Renan Santos, Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema aparecem como candidatos com alinhamento político mais próximo do bolsonarista. Eleitores de direita contrários à reeleição de Lula poderiam migrar para Flávio ainda no primeiro turno.








