O PT solicitou ao Supremo Tribunal Federal a abertura de uma investigação sobre possíveis recursos, serviços e ações digitais estrangeiras que teriam favorecido a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. O pedido foi apresentado nesta quarta-feira 23 no processo ADPF 1178, relatado pelo ministro Flávio Dino.
A sigla sustenta que as regras sobre a execução, no Brasil, de atos e decisões de autoridades estrangeiras também devem ser consideradas no contexto eleitoral. Por isso, pede que a Polícia Federal examine a origem e o eventual financiamento de iniciativas relacionadas à campanha.
Entre os pontos citados está a Rockbridge Network, organização política americana que tem entre seus cofundadores o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance. O PT quer esclarecer se houve vínculos entre a entidade, a candidatura de Flávio e empresários brasileiros, além de verificar se recursos ou serviços foram destinados à campanha.
Conteúdos digitais e plataformas
A representação também menciona publicações pagas de perfis no X sobre a posição de Flávio em apostas eleitorais da Polymarket. A plataforma, que atua no mercado de previsões, está bloqueada no Brasil desde abril. Conforme o documento apresentado pelo partido, os anúncios informavam que se tratava de parceria paga, mas não indicavam quem financiou as postagens.
A campanha de Renan Santos (Missão) apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral uma medida sobre suposta interferência estrangeira nas eleições brasileiras envolvendo a mesma plataforma.
Outro ponto questionado pelo PT são conteúdos do Brasil Paralelo e do Estúdio Quinto Elemento disponibilizados na Academia da Direita, plataforma que teria relação com o PL. A sigla afirma ter encontrado documentários e outras produções comercializados pelos fornecedores, mas exibidos no espaço partidário sem correspondência identificada nas prestações de contas analisadas.
Para o partido, caso os materiais tenham sido fornecidos sem cobrança, eles poderiam ser considerados doações de bens ou serviços com valor econômico. A petição pede a análise dos registros contábeis e financeiros para identificar a origem e a forma de custeio.
Em outra ação, a coligação pela qual Lula concorre à reeleição questiona no TSE Flávio e seu candidato a vice, Alfredo Gaspar. O caso envolve possíveis irregularidades na comunicação e nos poderes econômico e político, relacionadas a uma suposta articulação de contas no Instagram. A Corte pediu informações ao Facebook e à Shopee e determinou que os dados das contas investigadas fossem preservados.
O PT também requer a apuração de conexões entre a candidatura de Flávio e aliados no exterior, incluindo o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro. Se as irregularidades forem comprovadas, a coligação pede a cassação dos registros ou diplomas de Flávio e Gaspar, além da inelegibilidade de Flávio e Eduardo.







