As pesquisas divulgadas nesta quinta-feira (17) mostram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) tecnicamente empatados no primeiro e no segundo turnos. Os resultados mantêm uma tendência observada desde o início do ano: as intenções de voto no presidente permanecem estagnadas, enquanto o senador se recupera de seu pior momento.
No primeiro turno, Lula aparece com 44% contra 42% de Flávio Bolsonaro na AtlasIntel. No Datafolha, o placar é de 39% a 36% para o presidente. No segundo turno, Lula tem 46% e Flávio, 44%, no Datafolha. Na AtlasIntel, o senador aparece numericamente à frente, com 47,2%, contra 46,8% de Lula.
A vantagem de quem ocupa o governo
Cientistas políticos chamam de efeito incumbência as vantagens e desvantagens associadas ao exercício do mandato por um candidato à reeleição. No caso da Presidência no Brasil, o controle da execução do Orçamento federal e a alta visibilidade costumam favorecer quem está no cargo.
A Lei das Eleições estabelece limites para evitar concorrência desleal. Desde 2006, programas sociais só podem ser executados no ano da votação quando autorizados por lei e previstos no Orçamento do ano anterior. Como regra geral, o poder público não pode distribuir gratuitamente bens, valores ou benefícios aos cidadãos.
Ainda assim, o governo mantém margem para adotar medidas sociais e econômicas em ano eleitoral. Nesta quinta-feira (17), o governo federal anunciou reajuste de 15,04% no Bolsa Família, o primeiro desde a reativação do programa, em 2023. O piso passará de R$ 600 para R$ 691, e o valor médio, de R$ 675 para R$ 777. A mudança começa em 19 de outubro, menos de uma semana antes de um possível segundo turno.
O primeiro turno das eleições gerais de 2026 será em 4 de outubro. A menos de três semanas da votação, propostas consideradas prioritárias pelo governo, como o fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública, não avançaram no Congresso Nacional.
Fatores nacionais
Para Mateus de Albuquerque, professor da UFJF e coordenador do Observatório de Elites Políticas e Sociais do Brasil, parte do eleitorado não percebeu melhora suficiente nas condições de vida para apoiar integralmente o presidente. Ele também relaciona a estagnação à permanência do bolsonarismo e aos efeitos políticos do escândalo do Banco Master.
Na avaliação do professor, Lula tem dificuldade para se desvincular do sistema político por sua longa trajetória: presidiu o país de 2003 até 2010, elegeu e reelegeu sua sucessora e voltou ao cargo. Albuquerque afirma que o escândalo é percebido como uma confusão que atinge todo o sistema, embora não haja indício de envolvimento de Lula ou de seu governo no caso.
Leandro Consentino, professor do Insper, atribui peso maior à conjuntura nacional do que à onda mundial contrária a candidatos governistas. Ele cita o mal-estar econômico, a dificuldade do governo em transmitir sensação de bem-estar, a segurança pública e a crise institucional envolvendo o Judiciário.
Entre os fatores que compõem esse ambiente estão a investigação do Banco Master, cujo sigilo foi levantado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, e a crise entre ministros da corte. Também pesam a percepção econômica negativa: pesquisa BTG/Nexus de 31 de agosto registrou que 53% dos eleitores consideravam a situação da economia ruim ou péssima, apesar da deflação de 0,32% do IPCA em setembro e da queda da Selic para 13,75%.








