A Persevera, gestora com cerca de R$ 5 bilhões sob gestão, estima que Flávio Bolsonaro chegaria à frente de Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno da eleição presidencial de 2026. Em relatório divulgado nesta quinta-feira (17), a instituição projetou entre 50,35% e 52,6% dos votos válidos para o senador. No cenário central, o resultado seria de 52% a 48%.
A gestora ressalva que não é possível afirmar quem vencerá a eleição. A avaliação apresentada é que, se a votação ocorresse hoje, os dados considerados em seus modelos indicariam vantagem para Flávio.
Rejeição e avaliação do governo
A rejeição aparece como um dos principais critérios usados pela Persevera. De acordo com os dados reunidos no relatório, Lula tem 52,5% de rejeição, quase 3 pontos percentuais acima de Flávio. A instituição considera esse indicador relevante em uma disputa de segundo turno, quando eleitores sem preferência definida precisam escolher entre os dois candidatos.
A análise também compara a situação atual com o desempenho de Jair Bolsonaro em 2022. Naquele ano, Bolsonaro chegou ao segundo turno com 54,2% de desaprovação e 45,8% de aprovação. O relatório cita uma desaprovação de 55,2% para o governo Lula.
A partir da relação entre aprovação e votação observada para Bolsonaro, a gestora calcula que Lula alcançaria cerca de 48,1% dos votos válidos em um segundo turno. O documento trata essa estimativa como um indicador complementar, e não como uma previsão de que a mesma conversão se repetirá em 2026.
Nordeste e mudanças no eleitorado
O Nordeste é outro eixo da avaliação. Em 2022, Lula obteve aproximadamente 69% dos votos válidos da região no segundo turno. A mediana das pesquisas reunidas pela Persevera aponta agora para algo próximo de 65%.
Segundo o relatório, o Nordeste concentra cerca de 33,5 milhões de votos válidos. Nesse cálculo, cada ponto percentual perdido por Lula e transferido para o adversário equivale a aproximadamente 670 mil votos.
Na Bahia, a AtlasIntel indica queda de 5,4 pontos percentuais para Lula, enquanto a Futura estima redução de 9 pontos. Entre baianos de 16 a 24 anos, os dados apresentados no relatório apontam recuo de mais de 83% para menos de 64% nas intenções de voto bruto, na comparação com 2022.
A Persevera também relaciona a disputa às prioridades do eleitorado. O relatório afirma que a segurança pública ganhou espaço entre as principais preocupações dos brasileiros nos últimos quatro anos. Nas pesquisas citadas, Flávio aparece à frente de Lula na confiança para administrar a área, por 54% a 46%.
A mudança no perfil religioso também é considerada. A parcela de brasileiros que se declara evangélica passou de 21,6% em 2010 para 26,9% em 2022. Pela projeção usada pela gestora, o grupo pode representar 28,7% do eleitorado em 2026. A Persevera afirma que pesquisas eleitorais apontam preferência majoritária desse segmento pela direita.
Ajustes nas pesquisas
A gestora avalia que os levantamentos podem estar subestimando o candidato de direita por causa do chamado eleitor envergonhado, de erros de amostragem e da dificuldade de medir os efeitos da abstenção. Para a instituição, pesquisas realizadas às vésperas do segundo turno de 2022 teriam subestimado em cerca de 2 pontos percentuais a votação do candidato de direita.
Em uma das simulações, a Persevera ponderou os levantamentos pela taxa histórica de comparecimento às urnas e encontrou vantagem de 50,35% a 50,6% para Flávio. Em outro cálculo, usou como referência os desvios de amostragem registrados pelos institutos em 2022. Essa metodologia indicou uma faixa de 50,5% a 51,1% para o senador.
Os modelos que levam em conta a composição regional e os índices de rejeição apontam uma diferença maior a favor de Flávio. A própria gestora, porém, afirma que sua conclusão representa um cenário baseado nos dados disponíveis, e não uma definição antecipada do resultado eleitoral.







