O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), negou que a doação de R$ 2 milhões recebida por sua campanha em 2022 tivesse relação com propina ou favorecimento ao Banco Master. A acusação aparece em uma proposta de delação apresentada por Daniel Vorcaro, dono do extinto banco, que está preso desde março. O acordo foi rejeitado pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
A contribuição foi registrada em nome de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Na versão apresentada pelo ex-banqueiro, o pagamento estaria relacionado à manutenção do vínculo do Credcesta com o governo paulista. O cartão de crédito consignado para servidores é administrado pela PKL One Participações, empresa ligada ao Banco Master.
Tarcísio afirmou que o Credcesta foi credenciado em 2022, ainda na gestão de João Doria, e que o serviço é regulado pelo Banco Central. Segundo o governador, a empresa foi descredenciada depois que o Banco Master foi liquidado, no ano passado. Ele também disse que outras 217 empresas oferecem serviço semelhante.
O governador argumentou que o credenciamento não equivale a um contrato e que empresas que atendem aos requisitos do Banco Central não podem ter o pedido negado. Durante uma agenda de campanha em São Carlos, no interior de São Paulo, ao lado de Flávio Bolsonaro (PL), classificou como “absurdo” e “meio ridículo” imaginar que receberia propina para beneficiar uma empresa que já estava credenciada e em funcionamento.
Em outra declaração, feita durante um ato em Indaiatuba, Tarcísio disse que nunca teve contato com Vorcaro ou Zettel e negou favorecimento à PKL. “Assim, não faz o menor sentido”, afirmou.
Gilberto Kassab, presidente do PSD e candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado (PSD), também negou envolvimento com Vorcaro e com as doações citadas. A proposta de delação menciona ainda R$ 3 milhões doados por Zettel à campanha de Jair Bolsonaro.
Fernando Haddad (PT), adversário de Tarcísio na disputa pelo governo paulista, usou os 30 segundos finais de seu horário eleitoral gratuito para abordar o caso. A propaganda exibiu trechos sobre as suspeitas e afirmou: “A população de São Paulo exige respostas”.







