O câncer de ovário foi identificado nos estádios III ou IV em 588 dos 855 registros hospitalares que tinham informação sobre o estágio da doença em 2023. O número corresponde a 69,1% dos casos classificados no levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) com dados do Registro Hospitalar de Câncer (RHC).
O levantamento encontrou 1.244 registros de câncer de ovário. Em 389 deles, equivalentes a 31,3% do total, o estadiamento não estava disponível. Por isso, os percentuais sobre a extensão da doença devem ser interpretados com essa limitação. A base reúne casos atendidos nos hospitais participantes e não representa todos os diagnósticos registrados no Brasil.
Entre os casos classificados, 270 estavam no estádio III e 318 no estádio IV, que indica metástase à distância. Outros 263 registros estavam nos estádios I ou II: 200 no estádio I e 63 no estádio II. Quatro registros classificados como estádio 0 ficaram fora do cálculo, porque os sistemas usuais para o câncer de ovário invasivo começam no estádio I.
Sintomas e investigação
O tumor pode não causar sinais perceptíveis nas fases iniciais. Quando aparecem, os sintomas podem ser inespecíficos, como inchaço persistente da barriga, dor abdominal ou pélvica, saciedade após comer pouco, alterações intestinais, necessidade frequente de urinar, cansaço, náuseas, indigestão e perda de peso sem explicação.
A cirurgiã oncológica Viviane Rezende de Oliveira, vice-presidente da SBCO, afirma que não há exame recomendado para rastrear a doença em mulheres sem sintomas e sem risco aumentado. A investigação de uma suspeita pode incluir exames clínico e ginecológico, ultrassonografia transvaginal, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. O CA-125 pode ser solicitado, mas seu resultado isolado não confirma o diagnóstico.
Entre os fatores associados ao risco estão o avanço da idade, o excesso de peso, o histórico familiar e alterações genéticas herdadas. As mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 estão entre as mais conhecidas. A avaliação genética pode ser indicada mesmo sem outros casos de câncer na família, dependendo do tipo de tumor.
Casos estimados e mortalidade
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 8.020 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Os dados não correspondem ao mesmo grupo de mulheres analisado nos levantamentos de mortalidade e estadiamento.
Entre 2020 e 2025, a SBCO identificou 25.693 óbitos por câncer de ovário no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. O total anual passou de 3.921 em 2020 para 4.567 em 2024. Em 2025, foram registrados 4.509 óbitos, número ainda preliminar.
A concentração de mortes foi maior entre mulheres com 50 anos ou mais. Houve 5.344 óbitos na faixa de 50 a 59 anos; 7.052 entre 60 e 69 anos; 5.600 de 70 a 79 anos; e 3.547 entre mulheres com 80 anos ou mais. Essas faixas reuniram 83,8% dos óbitos do período. Como os dados vêm de fontes e períodos diferentes, não é possível relacionar diretamente o número estimado de novos casos ao total de mortes.
A cirurgia e a quimioterapia estão entre as formas de tratamento. A escolha depende das características do tumor, da extensão da doença e das condições clínicas da paciente. A quimioterapia pode ser feita antes ou depois da operação, e alterações relacionadas aos genes BRCA1 e BRCA2 podem contribuir para a definição da estratégia terapêutica.








