São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Saúde

Proteômica amplia o estudo das doenças além do DNA

Análise de proteínas pode revelar mudanças no organismo e complementar o conhecimento produzido pela genômica.

Proteômica amplia o estudo das doenças além do DNA

Proteínas podem ajudar a mostrar como o organismo está funcionando em determinado momento e ampliar o que a medicina já consegue compreender a partir do DNA. Diferentemente do genoma, que muda pouco ao longo da vida, o proteoma — conjunto de proteínas do corpo — reage à idade, ao ambiente, aos hábitos, aos medicamentos e ao desenvolvimento de doenças.

A análise de milhares de proteínas em pequenas amostras de sangue já permite obter uma espécie de fotografia molecular do organismo. Essas informações podem ser combinadas com dados genéticos para investigar fatores de risco, evolução de doenças e possíveis biomarcadores. Biomarcadores, no entanto, indicam probabilidades e não permitem afirmar com exatidão quem ficará doente.

Estudos em larga escala

A integração entre genômica e proteômica já faz parte de grandes estudos populacionais. No Reino Unido, o UK Biobank acompanha cerca de meio milhão de participantes. O projeto prevê examinar até cerca de 5.400 proteínas em 600 mil amostras, incluindo materiais obtidos em novas coletas ao longo do acompanhamento.

Singapura incorporou a proteômica a um estudo nacional de longo prazo com mais de 100 mil participantes. A China também avança nessa área. Com o acompanhamento de milhares de pessoas ao longo do tempo, esses projetos podem identificar padrões que não aparecem em um exame isolado.

Nos Estados Unidos, um estudo da Michael J. Fox Foundation sobre Parkinson passou a incluir análises proteômicas. A iniciativa busca investigar diferenças biológicas entre pacientes, a progressão da doença e possíveis biomarcadores.

Diversidade brasileira

O Brasil tem uma população com ancestralidades indígenas, africanas, europeias e asiáticas, mas essa diversidade ainda é pouco representada nas principais bases genéticas internacionais. Em 2025, uma pesquisa com 2.723 brasileiros identificou mais de oito milhões de variantes genéticas ausentes das principais bases de referência.

Esse resultado indica que descobertas feitas em outras populações, como as europeias, nem sempre podem ser aplicadas diretamente à realidade brasileira. Para conhecer melhor a população do país, o Ministério da Saúde desenvolve o Genomas Brasil, programa que reúne sequenciamento genético, biobancos, infraestrutura de dados e aplicação clínica, com integração à saúde pública e ao SUS.

Um artigo publicado na Nature Medicine informa que o programa pretende alcançar 100 mil genomas completos até 2027 e construir uma rede nacional capaz de representar melhor a diversidade brasileira.

O país também mantém estudos populacionais de longo prazo. O ELSA-Brasil acompanha mais de 15 mil adultos para investigar doenças crônicas. O SABE é voltado à saúde e ao envelhecimento da população idosa. Essas iniciativas observam as condições de saúde ao longo dos anos e ajudam a analisar como elas se transformam.

A proteômica pode acrescentar uma camada de informação ao conhecimento sobre o DNA. A análise conjunta dessas evidências pode contribuir para estudar como predisposições genéticas se manifestam ao longo da vida e para investigar o envelhecimento, doenças cardiovasculares, câncer, infecções e alterações metabólicas.

A expansão dessa área depende de pesquisa contínua, financiamento, governança e regras claras para o uso de dados e amostras. A infraestrutura já construída no país pode servir de base para esse avanço. A diversidade brasileira, nesse contexto, pode ser utilizada na produção de conhecimento voltado à medicina de precisão e a uma abordagem mais preventiva da saúde.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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