BRASÍLIA — Doenças relacionadas ao consumo de pescado, como a doença de Haff e a ciguatera, estão entre os temas previstos para o último dia da Reunião Nacional de Vigilância Epidemiológica das Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (VE-DTHA). O evento é realizado pelo Ministério da Saúde de 14 a 17 de setembro, em Brasília (DF).
A programação também prevê a apresentação de experiências dos estados do Amazonas, Pará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. As atividades abordarão a articulação entre a rede laboratorial, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na investigação de surtos e na prevenção das doenças de transmissão hídrica e alimentar.
Temas da reunião
Organizado pelo Departamento de Doenças Transmissíveis (DEDT), o encontro reúne responsáveis técnicos das Secretarias Estaduais de Saúde que atuam na área dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa é promovida pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) e inclui atualização técnica, troca de experiências e alinhamento operacional.
Entre os assuntos estão cólera, doenças diarreicas agudas (DDA), toxoplasmose, rotavírus, botulismo, segurança dos alimentos e a abordagem de Uma Só Saúde. Os participantes também discutem investigação de surtos, diagnóstico laboratorial, agentes emergentes e subestimados, calendário vacinal do rotavírus e vigilância da toxoplasmose.
As mudanças climáticas e os eventos extremos integram o cronograma, com debates sobre sinais de alerta climáticos e ambientais, planos de contingência, mobilidade humana e vulnerabilidades. A programação inclui estratégias para diferentes contextos, entre eles o de populações indígenas.
Insumos e resposta
Outro eixo é a gestão do hipoclorito de sódio a 2,5%. O encontro trata do papel da vigilância epidemiológica, dos processos de aquisição e dos desafios para garantir o insumo, usado para purificar água para ingestão e distribuído pelo Ministério da Saúde nos postos de saúde.
Atividades técnicas interativas e dinâmicas em grupo simulam situações de aumento de casos de doenças diarreicas agudas e procedimentos para investigação de surtos. No encerramento, haverá uma sessão sobre estratégias integradas de vigilância epidemiológica do botulismo no Brasil, com aspectos do cenário epidemiológico, diagnóstico laboratorial e notificação de eventos adversos relacionados ao uso da toxina botulínica.
Na abertura, a secretária adjunta da SVSA, Marília Santini, afirmou que o encontro fortalece a atuação coordenada das equipes e amplia a capacidade técnica dos estados para identificar, investigar e responder às doenças.
As DTHA são causadas pela ingestão de água ou alimentos contaminados por bactérias e suas toxinas, vírus, parasitas ou substâncias químicas. Há mais de 250 tipos da doença no mundo. Náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia e febre estão entre os sintomas mais comuns. Casos acima do esperado para determinado período e território podem indicar um surto e devem ser investigados pelas equipes de vigilância epidemiológica.







