São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Autos públicos detalham financiamento de Dark Horse e contatos de Flávio com Vorcaro

Documentos divulgados por André Mendonça registram pedidos de dinheiro, transferências aos EUA e divergências sobre os custos do filme.

Autos públicos detalham financiamento de Dark Horse e contatos de Flávio com Vorcaro

O ministro do Supremo André Mendonça tornou públicos nesta sexta-feira (11) os autos do inquérito que investiga o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Os documentos incluem a decisão que abriu a investigação, o pedido da Polícia Federal e o parecer da Procuradoria-Geral da República, mas não abrangem todos os materiais do caso.

A investigação busca esclarecer o caminho do dinheiro solicitado por Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro e verificar a possível ocorrência de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A PF também apura suspeitas relacionadas ao uso de recursos de emendas parlamentares na produção.

Contatos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

A Polícia Federal afirma que Flávio era o interlocutor direto de Vorcaro nas negociações sobre o financiamento. Os investigadores identificaram ao menos oito contatos entre os dois, realizados entre agosto e novembro de 2025.

Entre os registros estão uma troca de mensagens em 20 de agosto de 2025 para marcar um encontro; um áudio enviado em 8 de setembro de 2025, no qual Flávio pediu dinheiro e demonstrou preocupação com o atraso no pagamento de profissionais; e uma ligação em 24 de setembro de 2025, seguida de mensagens sobre uma possível reunião.

Em 22 de outubro de 2025, Flávio fez novas cobranças e convidou Vorcaro para um jantar com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. O encontro foi marcado para 6 de novembro, na casa do banqueiro. Em 7 de novembro de 2025, Flávio enviou um vídeo com a mensagem: “Tá perdendo, irmão! Tudo isso só está sendo possível por causa de vc!”.

Em 16 de novembro de 2025, ele fez outro pedido, acompanhado de imagens de visualização única: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”. No dia seguinte, Vorcaro foi preso.

Flávio também admitiu ter se encontrado com o banqueiro no fim de 2025, quando Vorcaro usava tornozeleira eletrônica. A aproximação entre os dois teria sido intermediada pelo empresário Thiago Miranda, então sócio e CEO do Portal Léo Dias, em dezembro de 2024.

Valores e transferências aos Estados Unidos

Segundo a delação premiada de um operador de Vorcaro, o banqueiro desembolsou R$ 62,8 milhões para “Dark Horse”. O valor total prometido, conforme mensagens, era de R$ 134 milhões.

A PF investiga a participação de Eduardo Bolsonaro, ex-deputado cassado e radicado nos EUA desde fevereiro de 2025, e de seu advogado, Paulo Calixto, na estruturação financeira dos repasses. Calixto administra o fundo Havengate Development Found.

Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, que operou o financiamento do filme, confirmou ter transferido R$ 61 milhões ao fundo nos Estados Unidos. Flávio afirma que o pedido ao banqueiro foi um “financiamento privado para um projeto privado”.

Divergências sobre o orçamento

A PF identificou suspeitas de superfaturamento diante do valor destinado ao filme. Uma perícia privada contratada pela produtora Go Up Entertainment calculou em R$ 20 milhões o custo da produção no Brasil. A empresa declarou que a maior parte desse montante veio do exterior, sem informar quanto.

O valor diverge dos dados obtidos pela PF junto ao Coaf e corresponde a um terço dos R$ 61 milhões transferidos por Vorcaro ao fundo americano. A diferença motivou questionamentos sobre o destino dos recursos solicitados para financiar o longa-metragem.

A documentação também registra que o produtor da Go Up nos Estados Unidos se recusou a fornecer informações sobre o filme sem um pedido formal de cooperação jurídica das autoridades brasileiras. Além disso, a defesa de Flávio pediu quatro vezes ao presidente do Supremo, Edson Fachin, a transferência da relatoria do inquérito das emendas para Mendonça, sem sucesso.

Na quinta-feira (10), a Polícia Federal deflagrou uma operação para apurar um possível esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares para “Dark Horse”. A medida foi autorizada pelo ministro do Supremo Flávio Dino, responsável pelo inquérito sobre o possível uso de dinheiro público na produção.

Em evento de campanha em Manaus nesta sexta-feira (11), Flávio voltou a defender a versão de que o filme recebeu financiamento privado e afirmou ser positivo “tirar o sigilo de tudo”.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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