Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao primeiro turno da eleição presidencial de 2026 em uma disputa acirrada. Neste domingo (4), os eleitores também escolhem deputados federais e estaduais, senadores e governadores.
As seções eleitorais funcionam das 8h às 17h, no horário de Brasília. A apuração começa imediatamente após o encerramento da votação. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 158,7 milhões de eleitores estão aptos a votar. O local de votação pode ser consultado pelo aplicativo e-Título e pelo site do tribunal, no serviço de Autoatendimento Eleitoral.
A eleição renova integralmente a Câmara dos Deputados, com 513 vagas, e dois terços do Senado, equivalentes a 54 dos 81 senadores. As disputas para presidente e governador podem ter segundo turno, marcado para 25 de outubro, se necessário.
Campanha sob influência do Judiciário
A campanha foi atravessada pelo escândalo do Banco Master e por uma crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que deslocou o debate eleitoral do centro da atenção pública. O caso chegou ao Supremo em novembro de 2025, depois de investigações da Polícia Federal apontarem relações entre Daniel Vorcaro, dono do banco e preso, e autoridades dos Três Poderes, entre elas Flávio Bolsonaro, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
Em 1º de setembro, André Mendonça, relator do caso no STF, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes a respeito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master. A crise provocou pedidos de investigação entre Mendonça e Moraes, o afastamento e a posterior reintegração do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e a intervenção de Edson Fachin, presidente do Supremo.
Uma sessão pública realizada em 15 de setembro terminou sem definição, após pedido de vista de Flávio Dino. O encontro foi marcado por divergências entre os ministros. Na ocasião, Gilmar Mendes disse: “Até a máfia tem ética”. Mendonça respondeu: “Não seja leviano. Não aponte o dedo para mim”.
Outro episódio envolveu publicações sobre Nossa Senhora Aparecida. Em 25 de setembro, Mendonça, como ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou liminarmente a remoção de conteúdos que reproduziam o boato de que Flávio Bolsonaro ou sua família pretendiam retirar da santa o título de padroeira do Brasil. Após decisões conflitantes no Supremo, o TSE limitou a remoção às publicações que mencionavam o candidato.
Decisões judiciais também alteraram as regras de um debate na TV Globo, que acabou cancelado. A campanha teve 1 debate presidencial no primeiro turno, promovido pela TV Bandeirantes em agosto.
Estratégias dos candidatos
Lula concentrou a campanha na defesa de seu legado e da soberania nacional. O presidente destacou ações sociais realizadas durante seus três mandatos e, na reta final, anunciou reajuste de 15% no Bolsa Família, proibiu o funcionamento das bets e lançou o programa Desenrola 3.0. Também foram citados o fim da “taxa das blusinhas”, o Move Brasil, com R$ 30 bilhões em crédito para taxistas e motoristas de aplicativo, e o Brasil Contra o Crime Organizado.
O candidato petista evitou debates de rádio e televisão e preferiu entrevistas a rádios, TVs e podcasts. Na busca por votos, voltou-se a mulheres, pessoas em situação de vulnerabilidade, eleitores indecisos e pessoas que deixam de votar.
Flávio Bolsonaro explorou os temas da segurança pública e da economia. Apresentou-se como defensor de uma política mais dura contra a violência e responsabilizou o governo Lula por problemas relacionados ao custo de vida, ao endividamento e aos juros altos. Também buscou o voto útil entre eleitores antipetistas.
O candidato defendeu alinhamento com os Estados Unidos e viajou pelo menos 7 vezes ao país no primeiro semestre. A assessoria de sua campanha negou recebimento de verba ou estrutura estrangeira.
Flávio também é investigado no caso Master por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”. O candidato nega irregularidades. Ele prometeu anistiar Jair Bolsonaro e outros envolvidos na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, além de ter repetido desinformações sobre as urnas eletrônicas.
Senado e composição do Supremo
A eleição para o Senado é central para o bolsonarismo, que pretende eleger o maior número possível de senadores e alterar a composição do STF. Cabe à Casa confirmar indicações de ministros ao Supremo e conduzir processos de impeachment.
Segundo Davi Alcolumbre, presidente do Senado, há 109 pedidos de impeachment contra os 10 ministros do tribunal. O objetivo principal do grupo é destituir Alexandre de Moraes.
O presidente eleito poderá indicar 4 ministros para o Supremo até 2030. As vagas previstas são as de Luiz Fux, que se aposenta compulsoriamente em 2028; Cármen Lúcia, em 2029; e Gilmar Mendes, em 2030. A quarta vaga é a de Luís Roberto Barroso, que se aposentou em 2025. A indicação de Jorge Messias para o posto foi barrada pelo Senado em abril.
A votação também deve definir a orientação da relação do Brasil com os Estados Unidos. Flávio defende alinhamento automático, enquanto Lula sustenta a manutenção da soberania e uma relação pragmática, sem preferência a parceiros comerciais na exploração de minerais de terras raras brasileiros.








