São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Falhas em lacres levam perícia a recusar análise de aparelhos do caso Dark Horse

Embalagens permitiam passagem de cabo USB e retirada de pendrives; Polícia Civil refez o acondicionamento antes de novo envio.

Suspeita de violação de lacres de equipamentos do caso Dark Horse expõe Tarcísio de Freitas e André Mendonça

A Polícia Científica de São Paulo recusou a perícia de celulares, notebooks e pendrives apreendidos na investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse após identificar falhas nos lacres e nas embalagens. Segundo documento do Instituto de Criminalística anexado ao processo, os invólucros permitiam a passagem de cabos e a possível introdução de objetos ou vestígios.

O problema foi identificado em 13 embalagens com celulares e notebooks. A perita criminal Viviane Fleitas Menezes registrou que havia espaço para a entrada de cabos de alimentação e transferência de dados, o que poderia permitir a manipulação dos equipamentos antes dos exames. Também foram encontradas falhas em quatro embalagens de pendrives, que permitiam a retirada dos dispositivos.

A operação policial ocorreu em 1º de junho. Os aparelhos foram encaminhados pela Polícia Civil ao Instituto de Criminalística em 3 de junho, dois dias depois. Após constatar as condições do material, os peritos devolveram os objetos à Polícia Civil. Em 8 de junho, o escrivão Mauro Sergio Gagliotti determinou a troca das embalagens e a aplicação de novos lacres.

A medida foi registrada como necessária para preservar a integridade dos objetos e manter a cadeia de custódia antes de um novo encaminhamento à perícia. Esse procedimento documenta o percurso de uma evidência desde a apreensão até a análise e eventual utilização no processo.

Até o momento, não há informação sobre os responsáveis pela falha. Também não existe conclusão de que os aparelhos tenham sido manipulados ou de que dados tenham sido apagados ou modificados.

Investigação sobre o financiamento

Os equipamentos integram a apuração sobre a movimentação de recursos envolvendo o Instituto Conhecer Brasil, o programa Wi-Fi Livre SP e empresas relacionadas à produção de Dark Horse. Polícia Civil e Polícia Federal examinam pagamentos milionários, subcontratações e transferências feitas pelo Instituto Conhecer Brasil para empresas ligadas ao filme.

Os dispositivos podem conter mensagens, documentos, registros financeiros, contatos e outros dados relacionados aos investigados. Por isso, a preservação do material é parte da própria investigação.

O caso também se relaciona a um inquérito no Supremo Tribunal Federal que estava sob a relatoria do ministro André Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração envolvia o financiamento de Dark Horse e pessoas ligadas à produtora Go Up Entertainment.

Em agosto, os advogados de Karina Ferreira da Gama, dona da produtora, pediram a Mendonça a suspensão da investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo e a transferência do caso para o STF. A defesa alegou que a investigação paulista invadia matéria submetida à Corte.

Não há, até o momento, informação pública que atribua a Mendonça participação na apreensão, no acondicionamento ou no transporte dos aparelhos. A relação com o ministro está no destino judicial das provas. Permanece sem resposta se a falha foi apenas um erro de procedimento ou se houve acesso aos dispositivos antes da perícia.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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