São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Inteligência artificial amplia consumo de energia, mas pode reduzir impactos ambientais

O efeito climático da IA depende do consumo dos data centers, da matriz elétrica e das aplicações usadas para monitorar e reduzir desperdícios.

Inteligência artificial amplia consumo de energia, mas pode reduzir impactos ambientais

A inteligência artificial tem efeitos opostos sobre o clima: exige energia para funcionar, mas também pode ser usada para detectar desmatamento, melhorar a eficiência de atividades econômicas e reduzir desperdícios.

Cada consulta a sistemas como o ChatGPT aciona computadores e estruturas de refrigeração em algum data center. Esse processamento consome eletricidade e gera calor, cuja remoção também exige recursos. Em outra frente, ferramentas de IA analisam imagens de satélite e podem identificar focos de desmatamento antes que eles avancem.

O consumo dos data centers

Dados da Agência Internacional de Energia indicam que a demanda mundial de eletricidade dos data centers deve passar de 415 TWh em 2024 para cerca de 945 TWh até 2030. O aumento estimado é de 530 TWh. O volume projetado para 2030 seria suficiente para abastecer todo o Brasil, incluindo residências, indústrias e comércio, por quase um ano e meio.

O treinamento do GPT-4 consumiu cerca de 28,8 milhões de kWh, quantidade equivalente ao consumo anual de aproximadamente 1.300 casas americanas. Nos Estados Unidos, a previsão é que, em 2030, o processamento de dados consuma mais eletricidade do que a fabricação conjunta de aço, alumínio, cimento e produtos químicos.

O crescimento dos data centers, porém, deve responder por cerca de 8% do aumento total da demanda mundial de eletricidade até 2030. O avanço previsto é inferior ao consumo adicional esperado para veículos elétricos, de 838 TWh, e aparelhos de ar-condicionado, de 651 TWh.

A intensidade do impacto também varia conforme a fonte de energia e a eficiência da infraestrutura. No Brasil, 88,2% da eletricidade consumida por data centers vinha de fontes renováveis, contra 27% na média mundial. Essa condição pode mudar conforme a localização do empreendimento, a disponibilidade de energia firme e renovável, o prazo de atendimento aos clientes e as tecnologias adotadas.

Indicadores como PUE, sigla em inglês para eficiência no uso de energia, e WUE, relacionada à eficiência no uso da água, ajudam a avaliar os data centers. Sistemas de refrigeração que consomem pouca ou nenhuma água podem limitar a pressão sobre os recursos hídricos.

Aplicações ambientais

No Brasil, o MapBiomas Alertas emprega inteligência artificial para analisar e aprimorar alertas de desmatamento em tempo real. Um estudo publicado na Science Advances apontou redução de até 70% no tempo de resposta das autoridades ambientais a esses avisos.

Paraná, São Paulo e Mato Grosso já usam IA para acompanhar as condições do solo, ajustar a irrigação e administrar o consumo de energia em propriedades rurais digitalizadas. Essas aplicações podem reduzir o desperdício de água, combustível e insumos químicos.

No setor empresarial, a ferramenta Report Lens analisa relatórios de sustentabilidade e cruza dados em uma escala que seria trabalhosa de reproduzir manualmente. Assim, a mesma tecnologia que demanda energia pode contribuir para a eficiência energética, a qualidade das informações e a redução de riscos.

O resultado depende de decisões de empresas, data centers, desenvolvedores, usuários e governos. Entre elas estão a escolha da infraestrutura contratada, a matriz energética utilizada, a otimização de modelos para reduzir processamento, o uso responsável da tecnologia e a exigência de transparência.

Rafael Avila é CEO do Sustentabilidade Agora. Cora Braga é gerente executiva de ESG da Elea Data Centers.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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