São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Amazônia perde capacidade de regular chuvas, alertam pesquisadoras

Cientistas afirmam que desmatamento, queimadas e secas já afetam o ciclo de água da floresta e podem levar o bioma ao ponto de não retorno.

Amazônia perde capacidade de regular chuvas, alertam pesquisadoras
Foto: Anna Carolina Negri/Getty Images/Reprodução

A Amazônia exerce papel central na formação e na distribuição de chuvas pela América do Sul, mas a devastação, as queimadas e as secas já afetam esse sistema, segundo as pesquisadoras Julia Valentim Tavares e Marielos Peñaclaros. Elas alertam que a perda de conectividade da floresta pode comprometer o funcionamento do bioma e provocar efeitos catastróficos em escala global.

A umidade oceânica gera chuva sobre a floresta. As árvores absorvem a água do solo e a devolvem à atmosfera como vapor, que é transportado pelos ventos para outras regiões do continente. Uma árvore adulta pode liberar entre 200 e 300 litros de água por dia. Julia classificou esse mecanismo como a maior “máquina de chuva” do planeta e afirmou que ele forma os chamados rios voadores.

Marielos, copresidente do Painel Científico pela Amazônia, que reúne mais de 350 cientistas, disse que a floresta sustenta os ciclos de água, nutrientes e carbono em escalas local, regional e global. Para ela, mineração, narcotráfico, desmatamento e queimadas prejudicam a conexão entre os ecossistemas amazônicos.

Seca, calor e risco às árvores

As consequências climáticas já podem ser medidas. O desmatamento na Amazônia brasileira está associado à redução das chuvas em áreas do Brasil e da Bolívia. Nas regiões desmatadas, as temperaturas aumentaram e os períodos secos ficaram mais intensos e longos.

Julia pesquisa os efeitos da seca no interior de árvores localizadas na borda sul da Amazônia, área conhecida como arco do desmatamento. Nesse trecho, as chuvas diminuíram e a temperatura subiu na última década. O estudo avalia por quanto tempo as árvores resistem antes que estruturas internas responsáveis pelo transporte de água sejam danificadas.

Em 2024, a Amazônia passou pela pior seca de sua história, associada ao El Niño. Segundo Marielos, 88% da bacia amazônica foram afetados. Bogotá, na Colômbia, enfrentou desabastecimento de água, enquanto Quito, no Equador, teve cortes no fornecimento de energia elétrica provocados pela falta de água.

A seca também deixou a floresta mais suscetível às queimadas, que bateram recorde naquele ano. A fumaça dos incêndios se espalhou pelo país e chegou à Região Sudeste.

Emissões e conectividade

As pesquisadoras demonstraram preocupação com a possibilidade de um super El Niño ocorrer este ano. Julia afirmou que, diante de secas e incêndios, a Amazônia pode deixar de retirar carbono da atmosfera e passar a emiti-lo, contribuindo para o aquecimento global.

Marielos disse que a redução drástica das emissões de gases do efeito estufa depende da substituição dos combustíveis fósseis por fontes menos poluentes. Ela também defendeu a recuperação de áreas degradadas e a reconexão ecológica de trechos desmatados.

“A Amazônia já está se aproximando do ponto de não retorno”, afirmou a copresidente do Painel Científico pela Amazônia. As duas pesquisadoras participaram da última edição do TEDxAmazônia, realizada no final de agosto, no Equador.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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