A relação entre o tamanho das árvores e a vulnerabilidade à seca varia conforme a floresta, a espécie e as condições locais. Pesquisas realizadas na última década indicam que árvores grandes podem morrer mais durante períodos de estiagem em algumas regiões, mas apresentar maior resistência em outras.
Na Amazônia, uma análise feita durante a fase quente do El Niño de 2015-16 avaliou mais de meio milhão de árvores. O sumidouro líquido de carbono da região praticamente desapareceu durante o evento, enquanto a mortalidade aumentou entre árvores de todos os tamanhos, com alta maior entre as de grande porte.
Os efeitos mais graves, porém, ocorreram principalmente em florestas que já cresciam em condições relativamente secas, especialmente nas bordas da Amazônia. A adaptação à seca sazonal não impediu que essas áreas sofressem com calor extremo e estresse hídrico excepcionalmente intensos. Árvores com madeira menos densa também se mostraram mais vulneráveis.
Respostas diferentes entre continentes
O padrão observado na Amazônia não se repetiu nas florestas tropicais africanas durante o mesmo El Niño de 2015-16. Nelas, a redução do crescimento foi mais intensa entre as árvores menores, enquanto as maiores pareceram comparativamente protegidas do estresse hídrico.
A explicação pode envolver diferentes causas de mortalidade. Em algumas florestas, a falha hidráulica — o rompimento da coluna contínua de água entre as raízes e as folhas — pode ser predominante. Em outras, competição, limitação de carbono ou perturbações podem ter papel mais importante.
Um estudo publicado na Nature analisou um gradiente de precipitação em Porto Rico e identificou variações na resistência à seca até dentro de uma mesma espécie. Árvores localizadas em florestas mais secas apresentaram maior resistência à falha hidráulica, indicando que a adaptação às condições locais também pode influenciar a resiliência.
O caso das gigantes de Bornéu
As dipterocarpáceas, árvores de grande porte que dominam muitas florestas do Sudeste Asiático, podem ultrapassar o dossel e armazenar grandes quantidades de carbono por causa da alta densidade de sua madeira. Medir essas árvores é difícil devido ao tamanho, ao terreno íngreme e aos contrafortes.
Um estudo concluiu que essas árvores conseguem compensar os desafios hidráulicos associados à altura por meio de ajustes anatômicos e fisiológicos. Assim, mantêm o funcionamento do sistema de transporte de água apesar do grande porte.
Árvores com mais de 70 metros precisam conduzir água por longas distâncias e ficam mais expostas à luz solar, ao calor e às condições atmosféricas adversas nas copas. Durante uma seca severa, a coluna de água pode se romper e provocar falha hidráulica, com possível morte da árvore. Ainda assim, o tamanho pode funcionar apenas como indicador de maior exposição, e não como causa isolada da vulnerabilidade.
A teoria hidráulica recebeu apoio de pesquisas anteriores: em 2012, pesquisadores demonstraram que muitas espécies operavam próximas dos limites de seus sistemas de transporte de água durante uma seca. Em 2023, outro estudo mostrou que características hidráulicas podem prever diretamente o risco de mortalidade por seca nas florestas da Amazônia.
As árvores verdadeiramente gigantes são raras e ainda pouco estudadas. Em parcelas de inventário florestal de longo prazo, elas representam apenas uma pequena parte dos troncos. Por isso, permanece em aberto se as dipterocarpáceas são excepcionais ou se a resiliência das maiores árvores ainda foi pouco avaliada. O conjunto das pesquisas indica que não há uma regra única para prever como as florestas tropicais responderão às secas.







