São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Fachin abre caminho para encerrar Inquérito das Fake News no STF

Presidente do Supremo retirou investigação sobre André Mendonça do inquérito, que tramita sob sigilo desde 2019.

Fachin abre caminho para encerrar Inquérito das Fake News no STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, retirou do Inquérito das Fake News a investigação relacionada ao ministro André Mendonça e abriu prazo para manifestações da Procuradoria-Geral da República e do próprio ministro. A decisão foi tomada na sexta-feira 4 e pode facilitar o encerramento do procedimento, aberto em 2019 para apurar ataques contra a Corte.

Fachin incluiu o fim do inquérito entre os compromissos de sua gestão para modernizar o sistema de Justiça, mas ainda não definiu uma data. Antes de concluir o caso, o Supremo deverá separar eventuais apurações com objeto próprio e encaminhá-las aos órgãos ou procedimentos correspondentes.

Origem e controvérsias

O Inquérito 4.781 foi instaurado em 14 de março de 2019, por iniciativa do então presidente do STF, Dias Toffoli. O objetivo declarado era investigar notícias fraudulentas, denunciações caluniosas, ameaças e infrações contra a honra e a segurança dos ministros, da Corte e de seus familiares.

A investigação foi aberta de ofício, sem provocação do Ministério Público Federal. Toffoli escolheu Alexandre de Moraes como relator, sem o sorteio eletrônico previsto no regimento interno do tribunal. Em abril de 2019, a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu o arquivamento.

No mesmo mês, Moraes determinou que a revista Crusoé e o site O Antagonista retirassem do ar uma publicação que relacionava Toffoli à Odebrecht. A decisão foi criticada como censura e depois revogada pelo próprio ministro. Também em abril, a Polícia Federal fez buscas em São Paulo, Goiás e Brasília. Um dos alvos foi o general da reserva Paulo Chagas.

A Rede Sustentabilidade questionou a legalidade do inquérito na ADPF 572. Em junho de 2020, o plenário do STF confirmou, por 10 votos a 1, a constitucionalidade da portaria que havia criado a investigação. O entendimento vencedor admitiu a atuação da Corte diante de ataques que ameaçassem seus integrantes ou o funcionamento da instituição. Marco Aurélio Mello foi o único a divergir.

Expansão das apurações

A investigação ganhou escala em maio de 2020, quando a Polícia Federal cumpriu mandados no Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina contra empresários, parlamentares e influenciadores ligados ao bolsonarismo. A operação buscava esclarecer a atuação do chamado gabinete do ódio, apontado como estrutura de coordenação de campanhas de desinformação e ataques ao Supremo.

Entre os alvos estavam Bia Kicis, Carla Zambelli, Daniel Silveira, Filipe Barros, Luiz Philippe de Orleans e Bragança, Cabo Junio Amaral, Gil Diniz, Douglas Garcia, Roberto Jefferson, Luciano Hang, Edgard Corona, Allan dos Santos, Bernardo Kuster, Enzo Leonardo, Otávio Fakhoury e Sara Winter.

Como o procedimento tramita sob sigilo, o número total de investigados, o conteúdo integral das decisões e os detalhes de todas as operações não são públicos. O inquérito também passou a se relacionar com apurações sobre ataques ao sistema eleitoral e a tentativa de manter Jair Bolsonaro no poder.

Daniel Silveira foi preso em fevereiro de 2021 após divulgar um vídeo com ataques a ministros do STF, defesa da extinção da Corte e pedido de edição de um novo AI-5. Em abril de 2022, o Supremo o condenou a 8 anos e 9 meses de prisão, com perda do mandato. Jair Bolsonaro concedeu indulto ao aliado no dia seguinte, mas o tribunal anulou o perdão por 8 votos a 2.

Bolsonaro entrou formalmente no Inquérito das Fake News em agosto de 2021, após uma transmissão em que atacou o sistema eleitoral e as urnas eletrônicas. A investigação também serviu de ponto de partida para o Inquérito das Milícias Digitais, relatado por Moraes, sobre financiamento e coordenação de ataques às instituições nas redes sociais.

Disputa entre ministros

A discussão sobre o encerramento ganhou força após o conflito envolvendo Moraes e Mendonça. O episódio está ligado ao colapso do Banco Master, de Daniel Vorcaro, preso em novembro do ano passado. Em janeiro, Dias Toffoli autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades, além do bloqueio de 5,7 bilhões de reais em bens. O caso acabou redistribuído a Mendonça após atritos entre Toffoli e a Polícia Federal.

Paralelamente, surgiram suspeitas de acesso indevido a dados fiscais sigilosos de ministros do Supremo e de familiares deles. Moraes abriu uma apuração de ofício sobre o episódio em 2026.

Relatórios da Polícia Federal encaminhados por Moraes a Fachin apontariam possíveis irregularidades de Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero. As suspeitas incluem interferência nas atribuições da Polícia Federal e direcionamento de diligências contra Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Mendonça nega irregularidades.

O Inquérito 4.781 continua sob sigilo e passou por sucessivas prorrogações. Juristas e ex-autoridades defendem seu arquivamento, citando a duração e a amplitude do procedimento. Os defensores da continuidade afirmam que ainda é necessário esclarecer o financiamento e a organização das redes investigadas. Moraes sustenta, desde 2022, que o caso só deve terminar após o avanço dessas apurações. Gilmar Mendes também declarou, em abril, que a investigação continuava necessária e seria encerrada quando seu objeto estivesse esgotado.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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