O Ministério da Saúde estruturou medidas para manter o atendimento e proteger populações vulneráveis no Sul diante da previsão de chuvas intensas, temporais, enxurradas e inundações. A estratégia combina monitoramento climático, unidades de resposta emergencial, reforço da rede de saúde e protocolos para abrigos temporários.
O El Niño está em nível forte e tem alta probabilidade de chegar a “muito forte” em setembro, permanecendo até março de 2027. A previsão é de maior volume de chuvas na região, especialmente na primavera, com possibilidade de interrupção de tratamentos, danos à infraestrutura dos serviços e ocorrências como leptospirose, gastroenterites, hepatite A, febre tifoide, afogamentos e ferimentos graves.
Estrutura para resposta rápida
O Sul conta com uma base da Força Nacional do SUS em Porto Alegre e com Centros de Informação em Saúde e Clima em Porto Alegre e Curitiba. Essas estruturas acompanham os acumulados de chuva e os níveis dos rios, orientam gestores locais, apoiam planos de contingência e ajudam na emissão de alertas e boletins. Também participam da qualificação de equipes e da elaboração de linhas de cuidado em saúde mental após desastres.
Mais de 478 Unidades Básicas de Saúde resilientes foram entregues ou estão em construção na região por meio do Novo PAC. Os projetos preveem terrenos seguros, energia solar, geradores e reserva hídrica para até 72 horas. O Sul também recebeu 709 ambulâncias do SAMU, soluções de acesso à água potável e reforço nos laboratórios de saúde pública e na atenção especializada.
Quando a estrutura local é comprometida, a Força Nacional do SUS pode substituí-la por unidades móveis e modulares. A logística inclui o envio de medicamentos de urgência e insumos para purificação de água, em cooperação com o Cemaden e a Defesa Civil.
Abrigos e adaptação climática
O Ministério da Saúde estabeleceu protocolos para abrigos coletivos temporários. As orientações priorizam água potável, sanitários adequados, ventilação para prevenir vírus respiratórios, triagem de casos graves, vacinação de bloqueio ou emergência e acolhimento psicossocial.
“É urgente avançar na adaptação climática porque as mudanças do clima estão afetando a saúde e levando pessoas à morte”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante coletiva regional realizada nesta quarta-feira (16). Segundo ele, a preparação segue evidências científicas e os princípios do SUS.
As ações fazem parte do AdaptaSUS, plano apresentado na COP30 para adaptar a rede pública às mudanças climáticas. O programa prevê 27 metas, 93 ações e investimento de R$ 9,8 bilhões, com planejamento até 2035.
Em todo o país, estão previstas nove bases regionais da Força Nacional do SUS nas cinco regiões. As três primeiras foram abertas no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro e na Bahia. Em 2026, a força realizou 11 missões em oito estados, cinco delas relacionadas a desastres, com 139 profissionais de 14 categorias e 4.899 atendimentos de saúde.






