Um aumento de 10 microgramas de partículas finas por metro cúbico (μg/m³) foi associado a uma alta de 2,4% nos episódios de tosse durante os cinco dias seguintes. A relação foi identificada mesmo em cidades onde a concentração diária de poluentes ficou abaixo do limite de exposição recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A pesquisa foi conduzida por investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, da Universidade Tsinghua, na China, e pela empresa de tecnologia do sono Sleep Cycle. O grupo analisou sons de tosse registrados pelo aplicativo da companhia, com dados de cerca de 100 mil usuários em 32 cidades de 12 países, ao longo de 500 dias.
O padrão também apareceu em uma análise específica de Los Angeles em 2025, durante a pior temporada de incêndios florestais da cidade em vários anos. Nesse caso, a elevação de 10 microgramas por metro cúbico de partículas em suspensão esteve ligada a um aumento de 10% na tosse noturna.
Exposição em cidades europeias
Entre as 13 cidades europeias avaliadas, a média diária de partículas finas variou de 5,47 μg/m³, em Uppsala, na Suécia, a 14,70 μg/m³, em Bergamo, na Itália. A média do grupo foi de aproximadamente 10,58 μg/m³.
A OMS recomenda que a exposição média em 24 horas não ultrapasse 15 μg/m³ em mais de três a quatro dias por ano. As cidades europeias analisadas apresentaram níveis de poluição de base baixos a moderados em comparação com Pequim, que registrou 40,97 μg/m³, e Xangai, com 33,48 μg/m³.
Relação com o sono e a saúde
Os autores afirmam que a tosse noturna pode interromper o sono e relacionar a exposição aguda à poluição a efeitos sistêmicos mais amplos, como disfunções cardiometabólicas, pior desempenho cognitivo e riscos neurodegenerativos associados ao descanso inadequado.
A equipe também considerou fatores como condições meteorológicas e incidência de gripe. Mesmo após essa análise, a associação entre a poluição do ar e os episódios de tosse permaneceu.
Para Tong Xia, autor principal e pesquisador da Universidade Tsinghua, a tosse pode indicar irritação ou inflamação nos pulmões, inclusive quando ainda não há um quadro crônico. Cecilia Mascolo, que liderou o trabalho em Cambridge, afirmou que os resultados sugerem a possibilidade de não haver um nível totalmente seguro de exposição, embora o estudo seja observacional.







