São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Influenciadores ampliam o alcance da desinformação, aponta estudo com brasileiros

Pesquisa mostra que a confiança no emissor aumenta a percepção de veracidade e a intenção de compartilhar mensagens falsas.

Influenciadores ampliam o alcance da desinformação, aponta estudo com brasileiros

A credibilidade de influenciadores pode aumentar a circulação de conteúdos falsos, mesmo quando eles não pretendem enganar. Em três experimentos com 914 brasileiros, pesquisadores observaram que a confiança em quem envia uma mensagem eleva tanto a percepção de que ela é verdadeira quanto a disposição de compartilhá-la.

O resultado desloca parte do debate sobre desinformação para o momento da publicação. Quando alguém com centenas de milhares ou milhões de seguidores compartilha uma informação, a decisão deixa de ser restrita à esfera privada e ganha alcance de mídia. A mensagem ainda pode ser repassada por outras pessoas consideradas confiáveis, ampliando sua disseminação.

O Fórum Econômico Mundial colocou a desinformação entre os maiores riscos globais de 2026. No Brasil, o cenário é descrito como especialmente favorável à circulação de conteúdos em redes sociais: o país registra mais tempo de uso dessas plataformas do que qualquer outro, e o WhatsApp alcança mais de 90% do público conectado.

Confiança e utilidade

A pesquisa indica que as pessoas muitas vezes avaliam uma mensagem a partir de quem a enviou, e não apenas do conteúdo. A confiança construída por um influenciador funciona como um elemento adicional associado à informação. Isso pode ocorrer quando ele publica uma opinião pessoal ou repassa uma notícia sem verificar sua origem.

A aparência de utilidade também favorece o compartilhamento. Alertas de saúde, avisos sobre serviços públicos, informações relacionadas a candidatos ou decisões que possam afetar uma família e dicas destinadas a um grupo podem parecer importantes para pessoas próximas. Quando a mensagem é percebida como útil e oportuna, a disposição de encaminhá-la cresce, mesmo sem checagem.

A confiança ainda pode ultrapassar o tema em que foi construída. Uma pessoa admirada por seu trabalho pode receber crédito ao falar sobre assuntos fora de sua área. A competência, porém, é específica: autoridade em um campo não assegura precisão em outro. Opinião, interpretação e informação factual também precisam ser diferenciadas, sobretudo quando são apresentadas por alguém que ocupa uma posição de confiança.

Checagem antes da publicação

A correção posterior não alcança necessariamente as mesmas pessoas que receberam a mensagem inicial. O conteúdo falso pode avançar com os primeiros compartilhamentos e chegar a grupos, telas e conversas que a retratação não reencontra. Por isso, a verificação anterior à publicação é apresentada como a etapa decisiva.

Influenciadores e celebridades podem defender ideias e participar do debate público. O problema não está em ter uma posição, mas em usar a credibilidade construída com a audiência para dar circulação a algo que não foi verificado. Identificar uma publicação como opinião também não muda a natureza de uma afirmação factual.

Eduardo Mesquita coordena as pesquisas do Ceam (Centro de Estudos Aplicados de Marketing) da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). Ele também é professor no doutorado do Programa de Pós-Graduação em Administração da ESPM e na graduação em design, em jornalismo e no programa ESPM LifeLab. Sua área de pesquisa é comportamento do consumidor e inteligência de mercado.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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